Digital AI Planejamento e Controle de Manutenção

PCM — UHE Miranda & Jaguara
ENGIE Brasil Energia

Documentação completa do sistema de PCM para as usinas hidrelétricas UHE Miranda (408 MW) e UHE Jaguara (424 MW) — cobrindo estrutura de equipe, ciclos operacionais, manutenção técnica, equipamentos críticos, tecnologias de monitoramento e conformidade regulatória.

832 MW capacidade total
7 Unidades Geradoras
Turbinas Francis
ENGIE Brasil S.A.
Versão 1.0 — 2026
01

Introdução ao PCM

O Planejamento e Controle de Manutenção (PCM) é o sistema de gestão que garante que toda atividade de manutenção seja executada de forma planejada, segura e rastreável — minimizando indisponibilidades forçadas, controlando custos e assegurando conformidade regulatória com ANEEL e ONS.

Nas usinas hidrelétricas da ENGIE Brasil, o PCM não é apenas uma ferramenta administrativa: é o sistema central que conecta planejamento técnico, operação, suprimentos, segurança e resultado financeiro. Uma hora de indisponibilidade forçada em Jaguara representa aproximadamente R$ 140.000 Como é calculado

424 MW × R$330/MWh × 1h ≈ R$140.000
Estimativa para cenário PLDPreço de Liquidação de Diferenças
Impacto/hora = Potência_MW × PLD_R$/MWh
Preço do mercado spot de energia elétrica. Define o custo financeiro de cada hora de indisponibilidade forçada.
Varia hora a hora: piso ~R$ 70/MWh (período úmido) até teto ~R$ 603/MWh (escassez hídrica).Referência usada no documento: R$ 330/MWh (cenário médio-alto, período seco).
Fonte: CCEE Infomercado — dados públicos, Submercado SE/CO
médio-alto (~R$330/MWh, período seco ou ano hidrológico desfavorável).
Varia de ~R$30k/hora (PLD piso, período úmido) até ~R$255k/hora (PLD teto, escassez hídrica).
Fonte PLD: CCEE Infomercado — Submercado SE/CO. Fonte normativa: ANEEL RN 614/2014.
em geração não realizada. Ver tabela de sensibilidade ↓

Capacidade Miranda
408 MW
3 turbinas Francis
Capacidade Jaguara
424 MW
4 turbinas Francis
Total Geração
832 MW
7 unidades geradoras
Disponibilidade Meta
98,5%
TEIFTaxa de Indisponibilidade Forçada
TEIF = Σ(h_forçadas × pot) / (h_período × pot_total) × 100
Percentual do tempo em que a usina ficou indisponível por falhas não planejadas.
Meta ANEEL: TEIF ≤ 1,5%. Descumprimento gera Parcela Variável (PV) — redução de receita.Apurado por unidade geradora (UG) pelo ONS.
Fonte: ANEEL RN 614/2014 + ONS Módulo 14 (Submódulo 14.1)
≤ 1,5%
ENGIE Brasil
11.266 MW
145 plantas / B3: EGIE3
Idade Jaguara
~55 anos
Comissionada em 1971

Sensibilidade do Custo/hora × PLD — Submercado SE/CO

O custo real de 1h de indisponibilidade forçada varia conforme o PLD vigente. Fonte: CCEE Infomercado.

Cenário PLDPLD (R$/MWh)Jaguara (424 MW)Miranda (408 MW)
Piso — período úmidoR$ 70~R$ 29.700/h~R$ 28.600/h
Médio úmido (nov–abr)R$ 150~R$ 63.600/h~R$ 61.200/h
⭐ Referência docR$ 330~R$ 140.000/h~R$ 135.000/h
Seco moderado (mai–out)R$ 450~R$ 190.800/h~R$ 183.600/h
Teto — escassez hídricaR$ 603~R$ 255.500/h~R$ 245.900/h

* Potência instalada × PLD × 1h. Impacto real pode ser menor via MREMecanismo de Realocação de Energia

Redistribui energia entre geradores do pool nacional
Sistema que redistribui energia gerada entre usinas do SINSistema Interligado Nacional
~97% da capacidade instalada do Brasil conectada
Rede elétrica integrada que conecta geração e consumo em todo o Brasil. Operado pelo ONS.
Descredenciamento do SIN é a penalidade máxima por não conformidade regulatória.Usinas conectadas devem seguir os Procedimentos de Rede do ONS.
Fonte: ONS — Procedimentos de Rede
. Usinas acima da Garantia Física "vendem" excedente para as abaixo.
MRE pode mitigar o impacto financeiro real de indisponibilidade.Em anos secos (GSFGeneration Scaling Factor
GSF = Geração real do pool / Garantia Física total do pool
Fator que indica se o pool hidráulico gerou acima (GSF > 1) ou abaixo (GSF < 1) da Garantia Física. GSF < 1 penaliza todos os geradores do MRE.
GSF < 1 em anos secos significa que geradores precisam comprar energia no mercado spot para honrar contratos.Risco hidrológico — não controlável pela manutenção, mas amplifica impacto de indisponibilidade.
Fonte: CCEE — regras do MRE
< 1), amplifica o impacto — geradores devem comprar energia no spot para cobrir déficit.
Fonte: CCEE — ANEEL RN 109/2004
e contratos CCEARContrato de Comercialização de Energia no Ambiente Regulado
Penalidade = Desvio_MWh × PLD_vigente
Contrato de longo prazo entre geradoras e distribuidoras. Define energia assegurada, prazo e condições de penalidade.
Descumprir disponibilidade contratual gera Parcela Variável (PV) — redução da receita mensal.Renovação de concessão exige histórico dentro dos limites CCEAR.
Fonte: ANEEL RN 614/2014 + Lei 10.848/2004
. Norma: ANEEL RN 614/2014 + ONS Módulo 14.

Meta ENGIE Brasil — Disponibilidade 99,5%

A ENGIE Brasil registra disponibilidade média de 99,5% em suas usinas hidrelétricas, resultado de programas de manutenção preditiva e gestão proativa. O PCM estruturado é o principal habilitador deste resultado.

Pilares do PCM Hidrelétrico

🔧 Planejamento
Definição de planos de manutenção preventiva e preditiva baseados em criticidade dos equipamentos (RCMReliability Centered Maintenance
Define estratégia ideal por modo de falha (preventiva / preditiva / corretiva / nenhuma)
Metodologia que responde 7 perguntas estruturadas sobre função, falha, efeito e criticidade de cada equipamento.
Baseado nas 7 perguntas RCM (Nowlan & Heap, 1978 / SAE JA1011).Aplicação completa pode levar meses — priorizar equipamentos Criticidade A.
Fonte: SAE JA1011 / IEC 60300-3-11 / ABNT NBR 5462
).
📋 Programação
Emissão semanal de Ordens de Serviço com materiais, ferramental, HH e requisitos de segurança completos.
📊 Controle
Medição contínua de KPIs (TEIF, TEIPTaxa de Indisponibilidade Programada
TEIP = Σ(h_programadas × pot) / (h_período × pot_total) × 100
Percentual do tempo em paradas planejadas (preventivas, revisões). TEIP elevado pode indicar bom planejamento.
Meta ANEEL: TEIP ≤ 3,0%. Paradas devem ser aprovadas no PMIPrograma Mensal de Intervenções
Envio obrigatório ao ONS com antecedência mínima de 10 dias úteis
Documento com todas as paradas programadas do mês. Aprovação do ONS é obrigatória antes da execução.
Parada não aprovada no PMI pode ser penalizada pelo ONS.ONS pode recusar ou renegociar datas se houver conflito com necessidade do SIN.
Fonte: ONS — Submódulo 6.3 dos Procedimentos de Rede
do ONS.
Parada que excede prazo aprovado é reclassificada como forçada (impacta TEIF).
Fonte: ANEEL RN 614/2014 + ONS Módulo 14
, MTBFMean Time Between Failures
MTBF = horas de operação / número de falhas
Tempo médio entre falhas. MTBF crescente = confiabilidade melhorando.
Calculado por equipamento — agregar por usina perde granularidade.Exige registro preciso de cada falha no CMMSComputerized Maintenance Management System
Sistema de gestão integrada de manutenção
Software que centraliza OS, histórico de equipamentos, planos preventivos, estoque, custos e KPIs.
Sem CMMS adequado, Backlog e CP não podem ser calculados com confiabilidade.Opções avaliadas: SAP PM, IBM Maximo, ENGEMAN, Fracttal.
Fonte: Padrão de mercado — sem norma específica
.
Fonte: ABNT NBR 5462 — sem meta normativa ANEEL direta
, CPCumprimento do Plano
CP = (OS executadas no prazo / OS programadas) × 100
Indica a disciplina do planejamento: quantas OS programadas foram realmente executadas no prazo previsto.
Meta típica: CP ≥ 90%.CP < 85% indica problema sistêmico: falta de material, equipe subdimensionada ou planejamento irrealista.Calcular separadamente para preventivas e preditivas.
Fonte: Indicador interno PCM — calculado no CMMS
), backlog e cumprimento do plano para decisões gerenciais.
02

UHE Miranda & UHE Jaguara

As duas usinas apresentam características técnicas e desafios de manutenção distintos, exigindo abordagens complementares no PCM.

UHE Miranda

408 MW
RioRio Araguari (MG)
Comissionamento1998
Unidades Geradoras3 × Francis
Potência por UG136 MW
Idade aproximada~28 anos
Status equipamentosBom estado geral

UHE Jaguara

424 MW
RioRio Grande (MG/SP)
Comissionamento1971
Unidades Geradoras4 × Francis
Potência por UG106 MW
Idade aproximada~55 anos
Status equipamentosFrota envelhecida
Característica UHE Miranda UHE Jaguara
Desafio principal Manter programa preventivo rigoroso para frota em meia-vida Gerir degradação acelerada de frota com 50+ anos
Prioridade preditiva Vibração, análise de óleo, DGADissolved Gas Analysis — Análise de Gases Dissolvidos
Triângulo de Duval: CH₄%, C₂H₄%, C₂H₂% → 7 zonas de diagnóstico
Análise dos gases dissolvidos no óleo do transformador para detectar falhas internas antes que se tornem catastróficas.
Acetileno (C₂H₂) é crítico — indica arco elétrico. Qualquer detecção exige ação imediata.Frequência recomendada: semestral (rotina). Imediata se acetileno detectado.
Fonte: IEC 60599 + IEEE C57.104 — limites de referência
transformadores
DGA intensificado, análise isolamento, vida útil de metais
Overhaul Ciclo 8-10 anos Ciclo 6-8 anos (maior desgaste)
Risco principal Cavitação em runners (zona de operação Araguari) Falhas de isolamento, desgaste acelerado de escoras
Equipe execução 3 mecânicos + 3 elétricos + 2 chefes + 1 volante 4 mecânicos + 4 elétricos + 2 chefes + 1 volante
Janela de paradas Julho–Setembro (período seco) Julho–Setembro (período seco)
⚠️
Jaguara — Frota com 55 Anos Exige PCM Reforçado

Equipamentos instalados em 1971 operam em condição de desgaste avançado. O PCM deve ser especialmente rigoroso com manutenção preditiva intensificada, rastreabilidade de condição e planejamento de overhaul com antecedência mínima de 6 meses.

03

Contexto ENGIE Brasil

A ENGIE Brasil S.A. (antiga Tractebel Energia) é listada na B3 sob o código EGIE3 e é a maior geradora privada de energia do Brasil. Em março de 2026, opera 145 plantas com 11.266 MW de capacidade instalada.

Cap. Hidro ENGIE BR
10.402 MW
11 usinas hidrelétricas
Hidro Brasil 2025
~110 GW
Matriz energética
Disponibilidade
99,5%
Usinas hidro ENGIE
UHE Jirau
3.750 MW
Rio Madeira (ESBR)

Principais Usinas ENGIE Brasil

UsinaCapacidadeRioEstado
UHE Jirau3.750 MWRio MadeiraRO
UHE Salto Santiago1.420 MWRio IguaçuPR
UHE Machadinho1.140 MWRio PelotasSC/RS
UHE Estreito1.087 MWRio TocantinsMA/TO
UHE Salto Osório1.078 MWRio IguaçuPR
UHE Cana Brava450 MWRio TocantinsGO
UHE Jaguara424 MWRio GrandeMG/SP
UHE Miranda408 MWRio AraguariMG
UHE São Salvador243 MWRio TocantinsTO/GO
UHE Passo Fundo226 MWRio Passo FundoRS
UHE Ponte de Pedra176 MWRio CorrentesMT/MS

Agentes Regulatórios

ANEEL
Agência Nacional de Energia Elétrica. Define indicadores de desempenho (TEIFTaxa de Indisponibilidade Forçada
TEIF = Σ(h_forçadas × pot) / (h_período × pot_total) × 100
Percentual do tempo em que a usina ficou indisponível por falhas não planejadas.
Meta ANEEL: TEIF ≤ 1,5%. Descumprimento gera Parcela Variável (PV) — redução de receita.Apurado por unidade geradora (UG) pelo ONS.
Fonte: ANEEL RN 614/2014 + ONS Módulo 14 (Submódulo 14.1)
, TEIPTaxa de Indisponibilidade Programada
TEIP = Σ(h_programadas × pot) / (h_período × pot_total) × 100
Percentual do tempo em paradas planejadas (preventivas, revisões). TEIP elevado pode indicar bom planejamento.
Meta ANEEL: TEIP ≤ 3,0%. Paradas devem ser aprovadas no PMIPrograma Mensal de Intervenções
Envio obrigatório ao ONS com antecedência mínima de 10 dias úteis
Documento com todas as paradas programadas do mês. Aprovação do ONS é obrigatória antes da execução.
Parada não aprovada no PMI pode ser penalizada pelo ONS.ONS pode recusar ou renegociar datas se houver conflito com necessidade do SINSistema Interligado Nacional
~97% da capacidade instalada do Brasil conectada
Rede elétrica integrada que conecta geração e consumo em todo o Brasil. Operado pelo ONS.
Descredenciamento do SIN é a penalidade máxima por não conformidade regulatória.Usinas conectadas devem seguir os Procedimentos de Rede do ONS.
Fonte: ONS — Procedimentos de Rede
.
Fonte: ONS — Submódulo 6.3 dos Procedimentos de Rede
do ONS.
Parada que excede prazo aprovado é reclassificada como forçada (impacta TEIF).
Fonte: ANEEL RN 614/2014 + ONS Módulo 14
), aprova tarifas e aplica penalidades por descumprimento de disponibilidade contratual via CCEARContrato de Comercialização de Energia no Ambiente Regulado
Penalidade = Desvio_MWh × PLD_vigente
Contrato de longo prazo entre geradoras e distribuidoras. Define energia assegurada, prazo e condições de penalidade.
Descumprir disponibilidade contratual gera Parcela Variável (PV) — redução da receita mensal.Renovação de concessão exige histórico dentro dos limites CCEAR.
Fonte: ANEEL RN 614/2014 + Lei 10.848/2004
.
ONS
Operador Nacional do Sistema. Coordena o despacho via Merit Order, define programações de geração e exige notificação com 10 dias de antecedência para paradas programadas (Submódulo 6.3).
CCEE
Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. Opera o mercado spot (PLDPreço de Liquidação de Diferenças
Impacto/hora = Potência_MW × PLD_R$/MWh
Preço do mercado spot de energia elétrica. Define o custo financeiro de cada hora de indisponibilidade forçada.
Varia hora a hora: piso ~R$ 70/MWh (período úmido) até teto ~R$ 603/MWh (escassez hídrica).Referência usada no documento: R$ 330/MWh (cenário médio-alto, período seco).
Fonte: CCEE Infomercado — dados públicos, Submercado SE/CO
), contabiliza energia e apura penalidades por descumprimento de contratos de longo prazo (CCEAR).
ANA / IBAMA
Agência Nacional de Águas (segurança de barragem — Lei 12.334/2010) e licenciamento ambiental. Exigem PSB (Plano de Segurança de Barragem) e monitoramento de piezômetros/drenos.
📋
FIDFator de Indisponibilidade Declarada
FID = TEIF + TEIP (rolling médio dos últimos 60 meses)
Indicador consolidado de indisponibilidade regulatória. Calculado como média móvel de 5 anos.
Ultrapassar o FID contratual resulta em penalidades no CCEAR e possível descredenciamento no SIN.Janela de 60 meses: eventos de 5 anos atrás ainda impactam o índice atual.
Fonte: ANEEL RN 1.059/2023 — cláusulas de disponibilidade CCEAR
= TEIF + TEIP (RN ANEEL 1.059/2023)

O Fator de Indisponibilidade Declarada (FID) é calculado como rolling médio dos últimos 60 meses. Ultrapassar o FID contratual resulta em penalidades financeiras no CCEAR e possível descredenciamento como agente de geração no SIN.

04

Estrutura da Equipe PCM

O diagnóstico inicial revelou que a equipe atual é composta apenas por funções de execução, sem camada de planejamento. A ausência de planejadores resulta em manutenção predominantemente reativa, sem KPIs, sem controle de backlog e sem programação formal.

Situação Atual (Apenas Execução)

FunçãoMirandaJaguaraTotal
Eletricistas347 + 1 volante = 8
Mecânicos347 + 1 volante = 8
Chefe Elétrica112
Chefe Mecânica112
Total execução19
🚨
GAPs Identificados — Sem Estrutura de Planejamento

Manutenção predominantemente reativa · Sem KPIs formais (TEIFTaxa de Indisponibilidade Forçada

TEIF = Σ(h_forçadas × pot) / (h_período × pot_total) × 100
Percentual do tempo em que a usina ficou indisponível por falhas não planejadas.
Meta ANEEL: TEIF ≤ 1,5%. Descumprimento gera Parcela Variável (PV) — redução de receita.Apurado por unidade geradora (UG) pelo ONS.
Fonte: ANEEL RN 614/2014 + ONS Módulo 14 (Submódulo 14.1)
, MTBFMean Time Between Failures
MTBF = horas de operação / número de falhas
Tempo médio entre falhas. MTBF crescente = confiabilidade melhorando.
Calculado por equipamento — agregar por usina perde granularidade.Exige registro preciso de cada falha no CMMSComputerized Maintenance Management System
Sistema de gestão integrada de manutenção
Software que centraliza OS, histórico de equipamentos, planos preventivos, estoque, custos e KPIs.
Sem CMMS adequado, Backlog e CP não podem ser calculados com confiabilidade.Opções avaliadas: SAP PM, IBM Maximo, ENGEMAN, Fracttal.
Fonte: Padrão de mercado — sem norma específica
.
Fonte: ABNT NBR 5462 — sem meta normativa ANEEL direta
não medidos) · BacklogBacklog de Manutenção
Backlog (semanas) = Σ HH de todas OS pendentes / HH disponível por semana
Quantidade de trabalho acumulado. Semáforo: ≤ 2 sem = verde | 2–4 = amarelo | > 4 = vermelho.
Backlog > 4 semanas indica equipe subdimensionada ou planejamento excessivo.Backlog zero pode indicar subplanejamento — separar por prioridade (P1–P5).
Fonte: Indicador interno PCM — calculado no CMMS
não quantificado · Sem planos preventivos documentados · Sobressalentes gerenciados informalmente · Sem programação semanal formal.

Estrutura Proposta PCM

CargoQtdFasePrincipais Responsabilidades
Coordenador PCM 1 Fase 1 Gestão do sistema PCM, KPIs, interface com Gerência e ONS/ANEEL
Planejador Mecânico 1 Fase 1 Elaboração de OS mecânicas, planos preventivos, gestão de materiais mecânicos
Planejador Elétrico 1 Fase 1 Elaboração de OS elétricas, ensaios, planos preditivos, DGADissolved Gas Analysis — Análise de Gases Dissolvidos
Triângulo de Duval: CH₄%, C₂H₄%, C₂H₂% → 7 zonas de diagnóstico
Análise dos gases dissolvidos no óleo do transformador para detectar falhas internas antes que se tornem catastróficas.
Acetileno (C₂H₂) é crítico — indica arco elétrico. Qualquer detecção exige ação imediata.Frequência recomendada: semestral (rotina). Imediata se acetileno detectado.
Fonte: IEC 60599 + IEEE C57.104 — limites de referência
Programador 1 Fase 1 Programação semanal, CMMS, controle de backlog, relatórios de CPCumprimento do Plano
CP = (OS executadas no prazo / OS programadas) × 100
Indica a disciplina do planejamento: quantas OS programadas foram realmente executadas no prazo previsto.
Meta típica: CP ≥ 90%.CP < 85% indica problema sistêmico: falta de material, equipe subdimensionada ou planejamento irrealista.Calcular separadamente para preventivas e preditivas.
Fonte: Indicador interno PCM — calculado no CMMS
Analista de Confiabilidade 1 Fase 2 RCMReliability Centered Maintenance
Define estratégia ideal por modo de falha (preventiva / preditiva / corretiva / nenhuma)
Metodologia que responde 7 perguntas estruturadas sobre função, falha, efeito e criticidade de cada equipamento.
Baseado nas 7 perguntas RCM (Nowlan & Heap, 1978 / SAE JA1011).Aplicação completa pode levar meses — priorizar equipamentos Criticidade A.
Fonte: SAE JA1011 / IEC 60300-3-11 / ABNT NBR 5462
, FMEAFailure Mode and Effects Analysis
NPRNúmero de Prioridade de Risco
NPR = Severidade × Ocorrência × Detecção (1–10 cada; máx = 1.000)
Indicador FMEA que prioriza modos de falha para ação corretiva. Quanto maior o NPR, maior o risco.
NPR > 200: ação imediata. 100–200: monitorar. < 100: aceitável.Severidade 10 (risco à vida) deve ser tratada independente dos outros fatores.
Fonte: IEC 60812 / AIAG-VDA FMEA Handbook
= Severidade × Ocorrência × Detecção (escala 1–10 cada)
Análise sistemática dos modos de falha e seus efeitos. Prioriza ações pelo Número de Prioridade de Risco (NPR).
NPR > 200 exige ação imediata.FMECAFailure Mode, Effects and Criticality Analysis
Criticalidade = Probabilidade × Severidade × Taxa de falha
Extensão do FMEA com análise quantitativa de criticalidade. Exige dados históricos de taxas de falha.
Padrão para equipamentos de segurança crítica.
Fonte: MIL-STD-1629A / IEC 60812
é a extensão com análise quantitativa de criticalidade.
Fonte: IEC 60812 / MIL-STD-1629A
, análise de falhas, preditiva avançada, Digital Twins
📊
Benchmark — Razão Planejador:Executores

Planta madura: 1 planejador para 20-30 executores. Implantação de PCM: 1 para 10-15. Com 24 executores, a proposta de 3 planejadores + 1 programador para Fase 1 é adequada ao estágio inicial e carga esperada.

05

Ciclo de Ordens de Serviço

A Ordem de Serviço (OS) é o documento central do PCM — toda manutenção executada deve ter uma OS aprovada antes do início. O ciclo de 7 etapas garante rastreabilidade completa da demanda à conclusão.

Ciclo Completo de OS — 7 Etapas
IDENTIFICAÇÃO Solicitação / Inspeção / Plano PLANEJAMENTO Escopo · Mat HH · Segurança APROVAÇÃO Coordenador PCM aprova PROGRAMAÇÃO Agenda semanal Recursos alocados EXECUÇÃO Equipe campo LOTO · NR-10 ENCERRAMENTO Chefe Equipe registra HH real ANÁLISE Coordenador KPIs · CMMS Operação / Plano Planejador Coordenador Programador Equipe Campo Chefe Equipe Coordenador PCM

Tipos de Ordem de Serviço

TipoSiglaDescriçãoPrioridade Típica
Ordem de Manutenção PreventivaOMPOriginada do plano de manutenção preventiva, emitida com antecedênciaP3–P4
Ordem de Manutenção PreditivaOPDOriginada de laudo preditivo (DGADissolved Gas Analysis — Análise de Gases Dissolvidos
Triângulo de Duval: CH₄%, C₂H₄%, C₂H₂% → 7 zonas de diagnóstico
Análise dos gases dissolvidos no óleo do transformador para detectar falhas internas antes que se tornem catastróficas.
Acetileno (C₂H₂) é crítico — indica arco elétrico. Qualquer detecção exige ação imediata.Frequência recomendada: semestral (rotina). Imediata se acetileno detectado.
Fonte: IEC 60599 + IEEE C57.104 — limites de referência
, vibração, termografia)
P2–P3
Ordem de Manutenção CorretivaOMCFalha já ocorrida — equipamento fora de operação ou degradadoP1–P2
Ordem de Serviço de InspeçãoOSIInspeção de rotina para coleta de dados de condiçãoP4–P5

Tabela de Prioridades

PrioridadeDenominaçãoPrazo MáximoCritério
P1EmergênciaImediatoRisco à segurança humana ou indisponibilidade forçada em andamento
P2Urgente24 horasEquipamento degradado, falha iminente ou impacto à geração
P3AltaEsta semanaImpacto à operação se não executado; sobressalente disponível
P4NormalDentro de 30 diasPreventiva planejada, inspeção de rotina
P5BaixaDentro de 90 diasMelhorias, conforto, padronização
06

Ciclo Semanal PCM

O ciclo semanal é o ritmo cardíaco do PCM. Cada dia tem um propósito definido, com a quinta-feira às 14h como pivô — reunião de programação que define o que será executado na semana seguinte.

Ciclo Semanal — Segunda a Sexta
SEGUNDA REVISÃO • CP semana anterior • OS não executadas • Análise desvios • Reprogramação Programador + Coord TERÇA BACKLOG • Triagem de novas solicitações • Priorização P1-P5 • Planejadores elaboram OS Planejadores QUARTA PREPARAÇÃO • Verificar materiais • Confirmar janelas com Operação • Pre-job briefing • Montar pacotes Programador QUINTA — 14h REUNIÃO SEMANAL • Coord + Planej • Chefes de Equipe • Supervisor Oper. • Revisão backlog • Aprovação prog. • KPIs da semana PIVÔ DO CICLO SEXTA EMISSÃO • Programação semana seguinte • OS emitidas no CMMS • Notif. Chefes de Equipe Programador
🎯
Regra de Ouro: CP > 85% é sinal de PCM Maduro

O Cumprimento do Plano (CP) mede quantas OS programadas foram efetivamente executadas. Meta conservadora para início de PCM: CP ≥ 80%. Meta para PCM maduro (ano 2+): CP ≥ 90%. Desvio abaixo de 70% por 2 semanas consecutivas exige análise de causa-raiz imediata.

07

KPIs e Métricas

Os KPIs do PCM hidrelétrico se organizam em três camadas: regulatórios (ANEEL/ONS), de confiabilidade (MTBFMean Time Between Failures

MTBF = horas de operação / número de falhas
Tempo médio entre falhas. MTBF crescente = confiabilidade melhorando.
Calculado por equipamento — agregar por usina perde granularidade.Exige registro preciso de cada falha no CMMSComputerized Maintenance Management System
Sistema de gestão integrada de manutenção
Software que centraliza OS, histórico de equipamentos, planos preventivos, estoque, custos e KPIs.
Sem CMMS adequado, Backlog e CP não podem ser calculados com confiabilidade.Opções avaliadas: SAP PM, IBM Maximo, ENGEMAN, Fracttal.
Fonte: Padrão de mercado — sem norma específica
.
Fonte: ABNT NBR 5462 — sem meta normativa ANEEL direta
/MTTRMean Time To Repair
MTTR = Σ(horas de reparo) / número de eventos corretivos
Tempo médio de reparo após falha — inclui diagnóstico, mobilização, reparo e testes.
Tempo de espera de peça pode dominar em usinas remotas.MTTR baixo pode indicar reparo paliativo sem tratar causa-raiz.
Fonte: ABNT NBR 5462 — dados do CMMS
) e de desempenho do PCM (CPCumprimento do Plano
CP = (OS executadas no prazo / OS programadas) × 100
Indica a disciplina do planejamento: quantas OS programadas foram realmente executadas no prazo previsto.
Meta típica: CP ≥ 90%.CP < 85% indica problema sistêmico: falta de material, equipe subdimensionada ou planejamento irrealista.Calcular separadamente para preventivas e preditivas.
Fonte: Indicador interno PCM — calculado no CMMS
, BacklogBacklog de Manutenção
Backlog (semanas) = Σ HH de todas OS pendentes / HH disponível por semana
Quantidade de trabalho acumulado. Semáforo: ≤ 2 sem = verde | 2–4 = amarelo | > 4 = vermelho.
Backlog > 4 semanas indica equipe subdimensionada ou planejamento excessivo.Backlog zero pode indicar subplanejamento — separar por prioridade (P1–P5).
Fonte: Indicador interno PCM — calculado no CMMS
).

KPIFórmulaMeta Ano 1Meta Ano 2+Fonte
TEIFTaxa de Indisponibilidade Forçada
TEIF = Σ(h_forçadas × pot) / (h_período × pot_total) × 100
Percentual do tempo em que a usina ficou indisponível por falhas não planejadas.
Meta ANEEL: TEIF ≤ 1,5%. Descumprimento gera Parcela Variável (PV) — redução de receita.Apurado por unidade geradora (UG) pelo ONS.
Fonte: ANEEL RN 614/2014 + ONS Módulo 14 (Submódulo 14.1)
Taxa de Indisponibilidade Forçada
TEIF = Σ(h_forçadas × pot) / (h_período × pot_total) × 100
Mede o tempo em que a usina ficou indisponível por falhas não planejadas. Meta ANEEL: TEIF ≤ 1,5% por usina. Descumprimento gera redução de receita via Parcela Variável (PV).
Base normativa: ANEEL RN 614/2014 + ONS Módulo 14 (Submódulo 14.1).
HIF / HPO × 100 ≤ 2,0% ≤ 1,5% ANEEL RN 1.059/2023
TEIPTaxa de Indisponibilidade Programada
TEIP = Σ(h_programadas × pot) / (h_período × pot_total) × 100
Percentual do tempo em paradas planejadas (preventivas, revisões). TEIP elevado pode indicar bom planejamento.
Meta ANEEL: TEIP ≤ 3,0%. Paradas devem ser aprovadas no PMIPrograma Mensal de Intervenções
Envio obrigatório ao ONS com antecedência mínima de 10 dias úteis
Documento com todas as paradas programadas do mês. Aprovação do ONS é obrigatória antes da execução.
Parada não aprovada no PMI pode ser penalizada pelo ONS.ONS pode recusar ou renegociar datas se houver conflito com necessidade do SINSistema Interligado Nacional
~97% da capacidade instalada do Brasil conectada
Rede elétrica integrada que conecta geração e consumo em todo o Brasil. Operado pelo ONS.
Descredenciamento do SIN é a penalidade máxima por não conformidade regulatória.Usinas conectadas devem seguir os Procedimentos de Rede do ONS.
Fonte: ONS — Procedimentos de Rede
.
Fonte: ONS — Submódulo 6.3 dos Procedimentos de Rede
do ONS.
Parada que excede prazo aprovado é reclassificada como forçada (impacta TEIF).
Fonte: ANEEL RN 614/2014 + ONS Módulo 14
Taxa de Indisponibilidade Programada
TEIP = Σ(h_programadas × pot) / (h_período × pot_total) × 100
Mede paradas planejadas (manutenção preventiva, revisões). TEIP elevado pode indicar bom planejamento. Meta ANEEL: TEIP ≤ 3,0%. Paradas devem ser aprovadas no PMI do ONS. Parada programada que excede prazo aprovado é reclassificada como forçada (impacta TEIF).
Base normativa: ANEEL RN 614/2014 + ONS Módulo 14.
HIP / HPO × 100 ≤ 4,0% ≤ 3,0% ANEEL RN 1.059/2023
Disponibilidade (HPO - HIF) / HPO × 100 ≥ 97,5% ≥ 98,5% Contrato CCEARContrato de Comercialização de Energia no Ambiente Regulado
Penalidade = Desvio_MWh × PLD_vigente
Contrato de longo prazo entre geradoras e distribuidoras. Define energia assegurada, prazo e condições de penalidade.
Descumprir disponibilidade contratual gera Parcela Variável (PV) — redução da receita mensal.Renovação de concessão exige histórico dentro dos limites CCEAR.
Fonte: ANEEL RN 614/2014 + Lei 10.848/2004
MTBF Mean Time Between Failures
MTBF = horas de operação / nº de falhas
Tempo médio entre falhas. Valor crescente indica confiabilidade melhorando.Exige registro preciso de todas as falhas no CMMS.
Indicador interno — sem meta normativa ANEEL direta. Ref: ABNT NBR 5462.
∑ tempo entre falhas / N° falhas ≥ 2.000 h ≥ 4.000 h CMMS (interno)
MTTR Mean Time To Repair
MTTR = Σ(horas de reparo) / nº de eventos corretivos
Tempo médio de reparo — inclui diagnóstico, mobilização e teste.Tempo de espera de peça pode dominar em usinas remotas.
Indicador interno — calculado com dados do CMMS. Ref: ABNT NBR 5462.
∑ tempo de reparo / N° reparos ≤ 12 h ≤ 8 h CMMS (interno)
CP (Cumprimento do Plano) OS executadas / OS programadas × 100 ≥ 80% ≥ 90% Programador (semanal)
Backlog HH OS pendentes / HH disponível semana ≤ 4 semanas ≤ 2 semanas CMMS (semanal)
%PM HH preventivo / HH total manutenção × 100 ≥ 60% ≥ 75% CMMS (mensal)
Retrabalho OS retrabalho / OS totais × 100 ≤ 8% ≤ 5% CMMS (mensal)
OEE Disp × Desempenho × Qualidade ≥ 85% ≥ 90% PI Historian

Semáforo de Backlog

Excelente
≤ 2 sem
PCM sob controle total
Adequado
2–4 sem
Operação normal
Atenção
4–6 sem
Ação corretiva necessária
Crítico
> 6 sem
Escalar para Gerência
Backlog (semanas) = Σ HH de todas OS pendentes / HH disponível por semana
TEIF = Horas de Indisponibilidade Forçada / Horas Período de Observação × 100
MTBF = (Tempo total de operação − Tempo de parada) / Nº de falhas
CP = OS executadas no prazo / OS programadas × 100
08

Comparativo CMMSComputerized Maintenance Management System
Sistema de gestão integrada de manutenção
Software que centraliza OS, histórico de equipamentos, planos preventivos, estoque, custos e KPIs.
Sem CMMS adequado, Backlog e CP não podem ser calculados com confiabilidade.Opções avaliadas: SAP PM, IBM Maximo, ENGEMAN, Fracttal.
Fonte: Padrão de mercado — sem norma específica

A escolha do CMMS (Computerized Maintenance Management System) é decisão estratégica que impacta todo o ciclo de vida do PCM. Para usinas ENGIE, os critérios principais são integração com SAP ERP, capacidade de análise de confiabilidade e robustez para ambiente industrial crítico.

Planilha HIDRA PCM — Operação sem CMMS
Planilha Excel completa com 10 abas: OS, Preventivas, Preditivas, KPIs, Almoxarifado, Custos, Paradas e mais. Pronta para uso imediato enquanto o CMMS definitivo não é implantado.
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CritérioSAP PMENGEMANFracttalIBM Maximo
Integração SAP ERP Nativa Via API Via API Limitada
Custo implantação Alto (R$ 500K+) Médio (R$ 150-300K) Baixo (SaaS) Alto (R$ 400K+)
Análise confiabilidade Avançada Básica Básica Avançada
Adoção no setor elétrico BR Alta (EletroNuclear, CEMIG) Alta (PMEs) Crescente Média
Treinamento equipe Longo (3-6 meses) Médio (1-2 meses) Curto (< 1 mês) Longo (3-6 meses)
Suporte Brasil Excelente Excelente Bom Limitado
Recomendação para ENGIE 1ª opção Transição MVP inicial Não recomendado
💡
Estratégia Recomendada — Fracttal → SAP PM

Para implantação rápida (primeiros 90 dias), iniciar com Fracttal ou planilha Excel estruturada para validar o processo. Após 6-12 meses de PCM rodando, migrar para SAP PM aproveitando a infraestrutura SAP ERP já existente na ENGIE Brasil.

09

Tipos de Manutenção

🔄 Manutenção Preventiva
Executada em intervalos fixos de tempo ou uso, independente da condição do equipamento. Base do plano anual (PMA). Exemplos: troca de óleo a cada 2.000 h, inspeção de escovas a cada 30 dias.
📡 Manutenção Preditiva
Baseada no monitoramento de parâmetros de condição (vibração, temperatura, DGADissolved Gas Analysis — Análise de Gases Dissolvidos
Triângulo de Duval: CH₄%, C₂H₄%, C₂H₂% → 7 zonas de diagnóstico
Análise dos gases dissolvidos no óleo do transformador para detectar falhas internas antes que se tornem catastróficas.
Acetileno (C₂H₂) é crítico — indica arco elétrico. Qualquer detecção exige ação imediata.Frequência recomendada: semestral (rotina). Imediata se acetileno detectado.
Fonte: IEC 60599 + IEEE C57.104 — limites de referência
, análise de óleo). Permite intervir só quando necessário, maximizando disponibilidade e reduzindo intervenções desnecessárias.
🚨 Manutenção Corretiva
Realizada após a falha. Corretiva Planejada: falha detectada por preditiva, reparo agendado. Corretiva Emergencial: falha inesperada, ação imediata. Meta: corretiva < 25% do total.
🔍 Manutenção Detectiva
Testa sistemas de proteção e intertravamento para verificar se estão operacionais. Essencial para relés de proteção, sistemas de trip, alarmes de alta temperatura e proteções de barragem.

Periodicidades Preventivas — Turbinas e Geradores

IntervaloAtividade MecânicaAtividade Elétrica
Diária Verificação de nível de óleo nos mancais, inspeção visual de vedações Leitura de temperatura de escovas e anéis coletores, alarmes
Semanal Verificação de vibração (ronda sensitiva), nível reservatório HPU Medição de corrente de excitação, verificação de alarmes ativos
Mensal Análise de óleo de mancais (viscosidade, acidez), inspeção de acoplamentos Inspeção visual de escovas (medir desgaste), termografia de cubículos
Semestral Alinhamento de eixo, verificação de labirintos, análise de óleo completa Medição de IR/IP estator, ensaio de capacidade das baterias de CC
Anual Inspeção geral com UG parada, medições de folgas de mancal, teste HPU DGA transformadores, Tan δ, medição de resistência de aterramento
4-6 anos Inspeção de runner (cavitação), desmontagem de mancal de escora Ensaios de descarga parcial (PD), revisão do sistema de excitação
8-12 anos Major Overhaul — desmontagem completa de UG, reparo/substituição de runner Revisão completa do gerador, rebobinamento se necessário, substituição de tiristores
10

Manutenção Preventiva

O Plano de Manutenção Anual (PMA) é o documento central da manutenção preventiva. Estruturado em 5 seções, deve ser elaborado até novembro para o ano seguinte e aprovado pelo Gerente da Usina.

Estrutura do PMA

1
Inventário de TAGs Críticos

Lista completa de equipamentos com classificação de criticidade (A, B, C) baseada em análise RCMReliability Centered Maintenance

Define estratégia ideal por modo de falha (preventiva / preditiva / corretiva / nenhuma)
Metodologia que responde 7 perguntas estruturadas sobre função, falha, efeito e criticidade de cada equipamento.
Baseado nas 7 perguntas RCM (Nowlan & Heap, 1978 / SAE JA1011).Aplicação completa pode levar meses — priorizar equipamentos Criticidade A.
Fonte: SAE JA1011 / IEC 60300-3-11 / ABNT NBR 5462
. Equipamentos classe A (impacto direto na geração) recebem frequência maior.

2
Calendário de Preventivas

Cronograma visual por TAG e mês, considerando janelas operacionais (período seco: jul-set), disponibilidade de equipe e necessidade de aprovação prévia do ONS.

3
Recursos Necessários

Estimativa de HH por disciplina (mecânica / elétrica), materiais de consumo (óleos, vedações, eletrodos), ferramental especial e necessidade de serviços contratados.

4
Paradas Programadas

Escopo detalhado de cada parada de UG, com datas previstas, pré-aprovação do ONS (Submódulo 6.3 — 10 dias de antecedência), caminho crítico e plano de contingência.

5
Plano de Sobressalentes

Necessidade de sobressalentes para o ano (classificados por ABC), lead time de aquisição, estoque mínimo por TAG crítico e fornecedores qualificados.

11

Manutenção Preditiva

A manutenção preditiva nas usinas da ENGIE combina múltiplas técnicas de monitoramento de condição que, integradas, fornecem diagnóstico precoce de falhas antes que causem indisponibilidade.

TécnicaEquipamento AlvoParâmetro MedidoFrequência
Análise de Vibração Turbina, mancais, eixo Deslocamento (µm), velocidade (mm/s RMS), aceleração (g) Online contínuo + semanal
DGADissolved Gas Analysis — Análise de Gases Dissolvidos
Triângulo de Duval: CH₄%, C₂H₄%, C₂H₂% → 7 zonas de diagnóstico
Análise dos gases dissolvidos no óleo do transformador para detectar falhas internas antes que se tornem catastróficas.
Acetileno (C₂H₂) é crítico — indica arco elétrico. Qualquer detecção exige ação imediata.Frequência recomendada: semestral (rotina). Imediata se acetileno detectado.
Fonte: IEC 60599 + IEEE C57.104 — limites de referência
— Análise de Gases
Transformadores de força H₂, CH₄, C₂H₂, C₂H₄, C₂H₆, CO, CO₂ (ppm) Trimestral + alerta online
Análise de Óleo Mancais, regulador de velocidade Viscosidade, acidez, contaminação particulada (ISO 4406) Semestral + após anomalia
Termografia IR Cubículos elétricos, conexões, rolamentos ΔT em relação ao ambiente ou componente par Semestral (anual mínimo)
Ultrassom Vedações, válvulas, rolamentos Emissão acústica em 40 kHz Mensal a semestral
MCSA — Assinatura Motor Motores de acionamento (bombas HPU) Espectro de corrente (FFT) Semestral
Ensaios Elétricos Gerador, transformadores IR, IP, Tan δ, PD (nC), Hipot (kV) Anual a cada 4 anos

Severidade de Termografia

Normal
< 5°C
Sem ação necessária
Monitorar
5–15°C
Reinspecionar em 6 meses
Moderado
15–40°C
Programar reparo P3
Crítico
> 40°C
Ação imediata P1/P2
12

RCMReliability Centered Maintenance
Define estratégia ideal por modo de falha (preventiva / preditiva / corretiva / nenhuma)
Metodologia que responde 7 perguntas estruturadas sobre função, falha, efeito e criticidade de cada equipamento.
Baseado nas 7 perguntas RCM (Nowlan & Heap, 1978 / SAE JA1011).Aplicação completa pode levar meses — priorizar equipamentos Criticidade A.
Fonte: SAE JA1011 / IEC 60300-3-11 / ABNT NBR 5462
& FMEAFailure Mode and Effects Analysis
NPRNúmero de Prioridade de Risco
NPR = Severidade × Ocorrência × Detecção (1–10 cada; máx = 1.000)
Indicador FMEA que prioriza modos de falha para ação corretiva. Quanto maior o NPR, maior o risco.
NPR > 200: ação imediata. 100–200: monitorar. < 100: aceitável.Severidade 10 (risco à vida) deve ser tratada independente dos outros fatores.
Fonte: IEC 60812 / AIAG-VDA FMEA Handbook
= Severidade × Ocorrência × Detecção (escala 1–10 cada)
Análise sistemática dos modos de falha e seus efeitos. Prioriza ações pelo Número de Prioridade de Risco (NPR).
NPR > 200 exige ação imediata.FMECAFailure Mode, Effects and Criticality Analysis
Criticalidade = Probabilidade × Severidade × Taxa de falha
Extensão do FMEA com análise quantitativa de criticalidade. Exige dados históricos de taxas de falha.
Padrão para equipamentos de segurança crítica.
Fonte: MIL-STD-1629A / IEC 60812
é a extensão com análise quantitativa de criticalidade.
Fonte: IEC 60812 / MIL-STD-1629A
/FMECA

O RCM (Reliability Centered Maintenance) é a metodologia que define qual tipo de manutenção — preventiva, preditiva, corretiva ou nenhuma — é mais adequada para cada modo de falha de cada equipamento.

As 7 Perguntas do RCM

#PerguntaResultado
1Quais são as funções e padrões de desempenho do ativo?Especificação funcional
2De que forma ele falha em cumprir suas funções?Falhas funcionais
3O que causa cada falha funcional?Modos de falha
4O que acontece quando ocorre cada falha?Efeitos da falha
5De que forma cada falha importa?Consequências da falha
6O que pode ser feito para predizer ou prevenir cada falha?Tarefa de manutenção proativa
7O que deve ser feito se não houver tarefa proativa adequada?Ação padrão (substituição, redesign)

Exemplo FMEA — Turbina Francis (Runner)

Modo de FalhaEfeitoSODRPNAção
Cavitação em pás Vibração excessiva, redução de rendimento, danos estruturais 854 160 Inspeção visual anual + análise vibração online
Desgaste de labirintos Aumento de vazamento, queda de eficiência 565 150 Medição de folga semestral
Trinca em pá Falha catastrófica, indisponibilidade forçada longa 1023 60 Inspeção END (LP/MT) no overhaul
Falha de vedação eixo Vazamento de água, contaminação de óleo 645 120 Verificação visual semanal + análise de óleo semestral

S = Severidade (1-10) | O = Ocorrência (1-10) | D = Detectabilidade (1-10) | RPN = S × O × D | RPN > 100: prioridade alta

13

Major Overhaul

O Major Overhaul (Revisão Geral) é a parada de maior escopo no ciclo de vida de uma UG — envolvendo desmontagem completa da turbina e gerador, ensaios extensivos e substituição/reparo de componentes com desgaste avançado. Para Miranda: ciclo de 8-10 anos. Para Jaguara: 6-8 anos.

6 Fases do Planejamento de Overhaul

1
Fase 1 — Diagnóstico (6-12 meses antes)

Revisão do histórico de manutenção, análise de ensaios preditivos anteriores, entrevista com equipe de campo, definição dos equipamentos a serem substituídos vs. reparados. Identificação de insumos de longo prazo de aquisição.

2
Fase 2 — Definição de Escopo (4-6 meses antes)

Elaboração do escopo técnico detalhado: lista de TAGs, trabalhos por TAG, especificações de materiais e serviços contratados, estimativa de HH e duração (caminho crítico).

3
Fase 3 — Contratação e Suprimentos (3-4 meses antes)

Processo licitatório para serviços especializados (Voith, Andritz, GE Vernova), aquisição de sobressalentes críticos, contratação de empresa de END (ensaios não-destrutivos).

4
Fase 4 — Execução (durante a parada)

Desmontagem sequencial, inspeções visuais e END em todos os componentes, execução de reparos (soldagem, usinagem, reparo por HVOF/Belzona para cavitação), remontagem e alinhamento.

5
Fase 5 — Comissionamento

Ensaios pós-montagem (IR, Hipot, balanceamento), testes em vazio (elevação de velocidade gradual), testes em carga gradual, medição de curvas de desempenho e aprovação pelo Engenheiro Responsável.

6
Fase 6 — Documentação e Lições Aprendidas

Atualização do histórico no CMMSComputerized Maintenance Management System

Sistema de gestão integrada de manutenção
Software que centraliza OS, histórico de equipamentos, planos preventivos, estoque, custos e KPIs.
Sem CMMS adequado, Backlog e CP não podem ser calculados com confiabilidade.Opções avaliadas: SAP PM, IBM Maximo, ENGEMAN, Fracttal.
Fonte: Padrão de mercado — sem norma específica
, registro de todos os achados (fotos, medições, laudos de END), cálculo de custo real vs. orçado, relatório de lições aprendidas para o próximo overhaul.

Técnicas de Reparo de Cavitação

MIG/MAG Inox
Soldagem com arame ER309L ou ER316L. Padrão para cavitação moderada em CA6NM. Requer pré-aquecimento a 150°C e pós-tratamento (PWHT).
HVOF (Thermal Spray)
High-Velocity Oxy-Fuel com WC-CoCr. Para superfícies com cavitação severa onde soldagem seria inviável. Dureza HV 1.000+.
Belzona (Composto Epóxi)
Belzona 1311 ou equivalente. Reparo temporário de pequenas cavidades. Fácil aplicação em campo, cura a temperatura ambiente. Não substitui soldagem para danos profundos.
14

Turbinas Francis

Ambas as usinas utilizam turbinas do tipo Francis — as mais comuns em hidrelétricas de média a alta queda (10–700 m). São turbinas de reação que convertem energia hidráulica em trabalho mecânico pelo escoamento radial-axial através das pás do runner.

Componentes Críticos e Modos de Falha

ComponenteMaterialFalha TípicaTécnica Preditiva
Runner (rotor) Aço CA6NM (13Cr-4Ni) Cavitação, erosão, trincas de fadiga Vibração online, END visual + LP/MT no overhaul
Palhetas diretoras Aço inox fundido Desgaste de vedação, erosão Medição de abertura, inspeção de gap anual
Mancal de escora Metal patente (Babbitt) Sobreaquecimento, desgaste acelerado Temperatura online, análise de óleo semestral
Mancal-guia turbina Bronze / Babbitt Desgaste radial, vibração excessiva Vibração online, medição de folga anual
Labirintos Bronze ou inox Desgaste, aumento de vazamento axial Medição de folga semestral
Vedação de eixo PTFE / borracha Vazamento, contaminação de óleo Inspeção visual semanal
Caixa espiral Aço carbono soldado Erosão interna, trincas em solda Inspeção visual + espessometria no overhaul
⚠️
Cavitação — Principal Ameaça ao Runner

A cavitação ocorre quando a pressão local cai abaixo da pressão de vapor da água, formando bolhas que implodem ao atingir zonas de maior pressão. A operação fora do ponto de eficiência máxima (desvio > 15% da carga nominal) acelera a cavitação dramaticamente no Rio Araguari (Miranda) e Rio Grande (Jaguara).

15

Geradores Síncronos

Os geradores de Miranda e Jaguara são geradores síncronos de eixo vertical, diretamente acoplados às turbinas Francis. A manutenção elétrica do gerador é a mais crítica em termos de custo de reparo e tempo de imobilização em caso de falha grave.

Estator — Enrolamento de Armadura
Núcleo laminado de silício + enrolamento de cobre isolado com sistema de impregnação global (VPI — Vacuum Pressure Impregnation). Falha catastrófica (curto-circuito entre espiras ou terra) exige rebobinamento completo: custo R$ 3-8M, prazo 6-12 meses.
Rotor — Polo Saliente
Polos de aço laminado com enrolamento de campo (cobre). Falha típica: curto entre espiras (detectável por RSO — Recurrent Surge Oscillograph). Isolamento avaliado por IR, PI e Tan δ.
Escovas & Anéis Coletores
Escovas de carvão grafitado: desgaste médio 25 mm/mês. Mínimo de vida residual: 15-20% do comprimento original. Inspeção mensal, troca preventiva a cada 3-6 meses dependendo da operação.
Excitação Estática (Tiristores)
Pontes de tiristores SCR controladas pelo AVR (Automatic Voltage Regulator). Falha de tiristor: indisponibilidade imediata. Verificar temperatura dos dissipadores com termografia semestral.

Ensaios Elétricos do Gerador

EnsaioSiglaO que avaliaFrequênciaLimites típicos
Resistência de IsolamentoIRQualidade geral do isolamentoAnual≥ 10 MΩ por kV de tensão nominal
Índice de PolarizaçãoIPUmidade/contaminação no isolamentoAnualIP ≥ 2,0 (bom); ≥ 4,0 (excelente)
Fator de DissipaçãoTan δDegradação dielétricaA cada 2 anosTan δ < 0,01 a 1 kV (acompanhar tendência)
Descarga ParcialPDVoids, delaminação no isolamentoA cada 2-4 anosNQS < 100 pC (atenção > 500 pC)
HipotRigidez dielétricaApós rebobinamento2×Un + 1.000 V por 1 minuto
RSO (Polo)RSOCurto entre espiras no rotorA cada 2 anosComparação entre polos ≤ 5% assimetria
16

Transformadores de Força

Os transformadores elevadores (gerador → barra de transmissão) são os equipamentos de maior valor unitário da usina (R$ 8-20M cada) e com maior lead time de substituição (18-36 meses). A manutenção preditiva intensiva, especialmente o DGADissolved Gas Analysis — Análise de Gases Dissolvidos

Triângulo de Duval: CH₄%, C₂H₄%, C₂H₂% → 7 zonas de diagnóstico
Análise dos gases dissolvidos no óleo do transformador para detectar falhas internas antes que se tornem catastróficas.
Acetileno (C₂H₂) é crítico — indica arco elétrico. Qualquer detecção exige ação imediata.Frequência recomendada: semestral (rotina). Imediata se acetileno detectado.
Fonte: IEC 60599 + IEEE C57.104 — limites de referência
, é a principal ferramenta para evitar falhas catastróficas.

Gases DGA e Diagnóstico

GásFórmulaModo de Falha IndicadoLimite de Atenção (IEC C57.104)
HidrogênioH₂Descarga parcial (corona), superaquecimento> 100 ppm
MetanoCH₄Superaquecimento moderado do óleo (< 300°C)> 120 ppm
AcetilenoC₂H₂Arco elétrico — CRÍTICO> 5 ppm
EtilenoC₂H₄Superaquecimento severo do óleo (> 500°C)> 50 ppm
EtanoC₂H₆Superaquecimento do óleo (300-500°C)> 65 ppm
Monóxido de carbonoCODegradação de papel isolante> 1.000 ppm
Dióxido de carbonoCO₂Degradação de papel isolante (acelerada)> 10.000 ppm
🔴
Acetileno > 5 ppm — Ação Imediata Obrigatória

A presença de C₂H₂ indica arco elétrico interno (temperatura > 700°C). Mesmo pequenas concentrações (5-10 ppm) exigem coleta adicional em 7 dias para confirmar tendência e avaliação pelo Triângulo de Duval. Acima de 20 ppm: desligar imediatamente e acionar fabricante.

17

DGADissolved Gas Analysis — Análise de Gases Dissolvidos
Triângulo de Duval: CH₄%, C₂H₄%, C₂H₂% → 7 zonas de diagnóstico
Análise dos gases dissolvidos no óleo do transformador para detectar falhas internas antes que se tornem catastróficas.
Acetileno (C₂H₂) é crítico — indica arco elétrico. Qualquer detecção exige ação imediata.Frequência recomendada: semestral (rotina). Imediata se acetileno detectado.
Fonte: IEC 60599 + IEEE C57.104 — limites de referência
— Análise de Gases Dissolvidos

O Triângulo de Duval é o método mais confiável para diagnóstico DGA, utilizando as concentrações relativas de CH₄, C₂H₄ e C₂H₂ para classificar a falha em 7 zonas.

Fluxo de Diagnóstico DGA — Transformadores ENGIE
COLETA DGA TRIMESTRAL Algum gás > limite IEC? NÃO NORMAL Próx. coleta em 3 meses SIM C₂H₂ presente (> 5 ppm)? SIM ARCO ELÉTRICO Coleta em 7 dias Comunicar Gerência NÃO TRIÂNGULO DE DUVAL Plotar CH₄/C₂H₄/C₂H₂ → 7 zonas de diagnóstico AÇÕES POR ZONA PD: Intensif. monit. online T1/T2: Prog. deslig. 30d T3: Verificar tap changer TAXA DE CRESCIMENTO > 0,1 ppm/dia = CRÍTICO Retirar de serviço se ↑
18

Sistema de Proteção

As funções de proteção seguem o padrão IEEE C37.102 para geradores síncronos. Cada função de proteção tem número normalizado e deve ser testada periodicamente pela equipe elétrica (manutenção detectiva).

Nº IEEEFunçãoProteção ContraAção
87GDiferencial de geradorCurto-circuito no estatorTrip instantâneo
51VSobrecorrente dependente de tensãoSobrecarga do geradorTrip temporizado
40Perda de excitaçãoFalha do AVR / excitaçãoTrip temporizado
24Sobrefluxo (V/Hz)Saturação do núcleo magnéticoAlarme + trip
27Mínima tensãoAfundamento de tensão no barramentoAlarme + trip
59SobretensãoFalha de regulação de tensãoTrip temporizado
81Subfrequência/sobrefrenquênciaDesvio de frequência do SINSistema Interligado Nacional
~97% da capacidade instalada do Brasil conectada
Rede elétrica integrada que conecta geração e consumo em todo o Brasil. Operado pelo ONS.
Descredenciamento do SIN é a penalidade máxima por não conformidade regulatória.Usinas conectadas devem seguir os Procedimentos de Rede do ONS.
Fonte: ONS — Procedimentos de Rede
Alarme + trip
78Proteção de vetor / perda de passoPerda de sincronismoTrip instantâneo
46Desequilíbrio de correnteCorrentes de sequência negativaAlarme + trip
32Potência reversaMotorização do geradorTrip temporizado
64FFalha de terra no campoCurto-circuito à terra no rotorAlarme (1ª falha) / Trip (2ª falha)
49Sobretemperatura do enrolamentoSobrecarga térmica do estatorAlarme + trip
19

Regulador de Velocidade (Governor)

O regulador de velocidade (governor) controla a abertura das palhetas diretoras da turbina para manter a velocidade de rotação constante (e a frequência do gerador em 60 Hz), respondendo às variações de carga do SINSistema Interligado Nacional

~97% da capacidade instalada do Brasil conectada
Rede elétrica integrada que conecta geração e consumo em todo o Brasil. Operado pelo ONS.
Descredenciamento do SIN é a penalidade máxima por não conformidade regulatória.Usinas conectadas devem seguir os Procedimentos de Rede do ONS.
Fonte: ONS — Procedimentos de Rede
.

HPU — Unidade de Potência Hidráulica
Bomba de alta pressão (≥ 120 bar), acumulador hidráulico, reservatório de óleo (≈ 500L para UG de 100+ MW), filtros de alta pressão. Principal ponto de manutenção: qualidade do óleo e vedações dos servo-motores.
Servo-motor de Abertura
Atuador hidráulico que move o anel de distribuição (e consequentemente todas as palhetas diretoras simultaneamente). Válvula proporcional eletro-hidráulica comandada pelo PLC digital. Verificar: curso, velocidade de resposta e histerese.
PLC Digital (Controlador)
Controlador PID digital com lógica de regulação de velocidade (droop 4-6%), sincronização com a rede e limitações de taxa de variação de carga. Backup por regulador analógico de emergência.
Encoder de Posição
Mede a abertura real das palhetas (0-100%). Falha no encoder gera comportamento oscilatório do governor. Verificação mensal de limpeza e calibração semestral.
20

Manutenção Baseada em Condição (CbMManutenção Baseada em Condição
Intervir somente quando parâmetro monitorado cruza limiar definido
Estratégia em que a manutenção é realizada com base no estado real do equipamento, não em intervalos fixos.
Requer sensores e sistemas de monitoramento online.Reduz custos de preventivas desnecessárias e evita falhas catastróficas.
Fonte: ISO 13381 / IEC 60300-3-12
)

A hierarquia de estratégias de manutenção evolui de reativa para preditiva. O objetivo do PCM ENGIE é alcançar o nível 3 (CbM) em 18 meses e iniciar o nível 4 (Preditivo com AI/ML) em 36 meses.

NívelEstratégiaCaracterísticaCusto ManutençãoStatus
1 Run-to-Failure Opera até falhar. Sem intervenção planejada. Baixo (até a falha) A evitar
2 Preventiva (TBM) Intervalos fixos de tempo. Pode gerar over/under-maintenance. Médio Fase 1
3 CbM — Baseada em Condição Monitoramento contínuo. Intervém quando condição degradar. Médio-baixo Meta 18 meses
4 Preditiva (AI/ML) Modelos de ML antecipam falhas com dias/semanas de antecedência. Baixo Meta 36 meses

Plataformas de Monitoramento Online

Bently Nevada
Sistema de monitoramento de vibração online. Sensores de proximidade (eddy current) para eixo. Padrão em grandes usinas hidrelétricas.
PI Historian / AVEVA
Banco de dados de séries temporais para armazenar todas as variáveis de processo. Base para análise de tendências e Digital Twins.
GE Vernova APM
Asset Performance Management com módulos de RCMReliability Centered Maintenance
Define estratégia ideal por modo de falha (preventiva / preditiva / corretiva / nenhuma)
Metodologia que responde 7 perguntas estruturadas sobre função, falha, efeito e criticidade de cada equipamento.
Baseado nas 7 perguntas RCM (Nowlan & Heap, 1978 / SAE JA1011).Aplicação completa pode levar meses — priorizar equipamentos Criticidade A.
Fonte: SAE JA1011 / IEC 60300-3-11 / ABNT NBR 5462
, análise de falhas e integração com sensores IoT. Usado em plantas GE Vernova.
21

Análise de Vibração

A análise de vibração é a técnica preditiva mais importante para turbinas e geradores hidráulicos — permite detectar desbalanceamento, desalinhamento, cavitação e falhas de mancal antes que causem danos irreversíveis.

Zonas ISO 20816 — Avaliação de Severidade

Zona A — Verde
Ótimo
Operação contínua sem restrição
Zona B — Amarelo
Aceitável
Monitoramento intensificado
Zona C — Laranja
Atenção
Operação por prazo limitado; programar manutenção
Zona D — Vermelho
Crítico
Parar imediatamente — risco de dano

Diagnóstico por Padrão de Frequência (FFT)

Frequência dominanteDiagnóstico provávelComponente afetado
1X (1× frequência de rotação)DesbalanceamentoRotor, runner, acoplamento
2X (2× frequência de rotação)DesalinhamentoAcoplamento, eixo
0,43–0,49X (sub-harmônica)Oil Whirl (mancal)Mancal de deslizamento
0,5X (sub-harmônica)Oil Whip / Rotor RubMancal, labirinto
Subharmônicas + ruídoCavitaçãoRunner, câmara espiral
Harmônicas de pás (Nº pás × rpm)Desgaste de palhetasPalhetas diretoras
Alta frequência impulsivaDefeito de rolamentoRolamento (se aplicável)
22

Termografia Infravermelha

A termografia infravermelha identifica anomalias térmicas em equipamentos elétricos e mecânicos sob carga. É técnica não-intrusiva que pode ser executada com o equipamento em operação, sem necessidade de desligamento.

Equipamentos Prioritários para Termografia

Elétrico
  • Disjuntores de alta tensão (conexões, contatos)
  • Transformadores (ponteiras, buchas, radiadores)
  • Painéis de CC e CA (conexões, disjuntores)
  • Pontes de tiristores de excitação
  • Anéis coletores e escovas do gerador
  • Cabos e conexões de alta corrente
Mecânico
  • Mancais de escora e guia (temperatura de filme de óleo)
  • Acoplamentos (alinhamento)
  • Rolamentos de motores de acionamento
  • Válvulas e flanges da HPU
  • Selo mecânico de eixo
  • Motores de ventilação do gerador
📸
Boas Práticas de Termografia em Ambiente Hidrelétrico

Executar com carga mínima de 75% da nominal (anomalias se manifestam sob carga). Registrar temperatura ambiente no momento da inspeção. Comparar sempre com imagem padrão (baseline) ou componente par. Laudos gerados em software dedicado (FLIR Tools, ThermaCAM).

23

IIoT & Indústria 4.0

A arquitetura IIoT (Industrial Internet of Things) para manutenção hidrelétrica conecta sensores de campo ao PI Historian e plataformas analíticas para suporte à decisão em tempo real.

Arquitetura IIoT — 5 Camadas

1
Sensores e Transdutores

Acelerômetros piezelétricos, sondas de proximidade eddy current, RTDs, TCs, IEDs de proteção, analisadores de óleo online (DGADissolved Gas Analysis — Análise de Gases Dissolvidos

Triângulo de Duval: CH₄%, C₂H₄%, C₂H₂% → 7 zonas de diagnóstico
Análise dos gases dissolvidos no óleo do transformador para detectar falhas internas antes que se tornem catastróficas.
Acetileno (C₂H₂) é crítico — indica arco elétrico. Qualquer detecção exige ação imediata.Frequência recomendada: semestral (rotina). Imediata se acetileno detectado.
Fonte: IEC 60599 + IEEE C57.104 — limites de referência
contínuo tipo Kelman).

2
Edge Computing

Concentradores locais que executam pré-processamento, FFT em tempo real e compressão de dados antes de enviar à rede industrial. Reduz latência e banda necessária.

3
Rede Industrial

Protocolos: Modbus RTU/TCP (legado), DNP3 (SCADA), IEC 61850 (proteção), OPC-UA (interoperabilidade), MQTT (IoT). Segmentação por VLAN com firewall industrial.

4
PI Historian / Data Lake

AVEVA PI armazena séries temporais de todos os sensores com compressão inteligente (exc/deviation). Base para análise de tendências, correlação e alimentação de modelos ML.

5
Analytics & Dashboards

Power BI para dashboards de KPIs em tempo real. Plataformas APM (GE Vernova, AVEVA) para alertas preditivos. Modelos ML (Isolation Forest, LSTM) para detecção de anomalias.

Algoritmos ML para Manutenção Preditiva

AlgoritmoAplicaçãoDados de Entrada
Isolation ForestDetecção de anomalias sem labels (unsupervised)Vibração, temperatura, corrente
One-Class SVMClassificação de condição normal vs. anormalEspectro FFT, temperatura
Autoencoder (DL)Reconhecimento de padrão normal; anomalia = alto erro de reconstruçãoSéries temporais multivariadas
LSTMPrevisão de Remaining Useful Life (RUL)Histórico de vibração + temperatura
XGBoostClassificação de tipo de falha (supervisionado)Features extraídas do sinal + histórico CMMSComputerized Maintenance Management System
Sistema de gestão integrada de manutenção
Software que centraliza OS, histórico de equipamentos, planos preventivos, estoque, custos e KPIs.
Sem CMMS adequado, Backlog e CP não podem ser calculados com confiabilidade.Opções avaliadas: SAP PM, IBM Maximo, ENGEMAN, Fracttal.
Fonte: Padrão de mercado — sem norma específica
24

Gêmeos Digitais

O Gêmeo Digital (Digital Twin) é uma representação virtual de alta fidelidade de um ativo físico, sincronizada com dados reais em tempo real. Para hidrelétricas, o DT pode simular comportamentos hidrodinâmicos, eletromagnéticos e mecânicos.

Nível 1 — Simulação Estática
Modelo CAD/CAE do equipamento. Permite análise de tensão, fadiga e projeto de modificações sem risco à máquina real. Usado para dimensionamento de reparos.
Nível 2 — Monitoramento Contínuo
Modelo sincronizado com sensores em tempo real via PI Historian. Detecta desvios do comportamento esperado. Plataformas: AVEVA, GE Vernova APM, Siemens MindSphere.
Nível 3 — Preditivo e Prescritivo
Modelo alimenta algoritmos ML para prever falhas futuras e prescrever ações de manutenção. Estima RUL (Remaining Useful Life) e otimiza janelas de manutenção.

Aplicações para UHE Miranda e Jaguara

  • DT Turbina: Simulação hidrodinâmica CFD (Computational Fluid Dynamics) para otimizar ponto de operação e reduzir cavitação
  • DT Gerador: Modelo eletromagnético para monitoramento de assimetrias de campo e previsão de degradação de isolamento
  • DT Transformador: Modelo térmico acoplado a DGADissolved Gas Analysis — Análise de Gases Dissolvidos
    Triângulo de Duval: CH₄%, C₂H₄%, C₂H₂% → 7 zonas de diagnóstico
    Análise dos gases dissolvidos no óleo do transformador para detectar falhas internas antes que se tornem catastróficas.
    Acetileno (C₂H₂) é crítico — indica arco elétrico. Qualquer detecção exige ação imediata.Frequência recomendada: semestral (rotina). Imediata se acetileno detectado.
    Fonte: IEC 60599 + IEEE C57.104 — limites de referência
    online para previsão de vida útil e otimização de carregamento
  • DT Barragem: Modelo geomecânico integrado com piezômetros e drenos para monitoramento de segurança da barragem (Lei 12.334/2010)
25

Organograma PCM

Organograma — Estrutura PCM Proposta ENGIE Miranda & Jaguara
COORDENADOR DE O&M Miranda + Jaguara COORDENADOR PCM Ambas as usinas | Fase 1 PLANEJADOR MECÂNICO Miranda + Jaguara PLANEJADOR ELÉTRICO Miranda + Jaguara PROGRAMADOR CMMS + Agenda Semanal ANALISTA CONFIABILIDADE Fase 2 (futura) ▼ Equipe de Manutenção — 19 técnicos MIRANDA 3 Mecânicos + 1 Chefe MIRANDA 3 Elétricos + 1 Chefe JAGUARÁ 4 Mecânicos + 1 Chefe JAGUARÁ 4 Elétricos + 1 Chefe LEGENDA Gestão / Hierarquia PCM (Planejamento) Fase 2 (futura) Execução (19 pessoas)
26

Coordenador PCM

O Coordenador PCM é o dono do processo — responsável pelo funcionamento do sistema completo, garantindo que o ciclo de planejamento→programação→execução→análise funcione sem interrupção. É o principal interlocutor entre manutenção, operação, gerência e órgãos regulatórios.

Perfil Técnico

Requisitos Obrigatórios
  • Engenheiro Elétrico ou Mecânico (preferencialmente)
  • Mínimo 5 anos em manutenção de usinas hidrelétricas
  • SAP PM ou CMMSComputerized Maintenance Management System
    Sistema de gestão integrada de manutenção
    Software que centraliza OS, histórico de equipamentos, planos preventivos, estoque, custos e KPIs.
    Sem CMMS adequado, Backlog e CP não podem ser calculados com confiabilidade.Opções avaliadas: SAP PM, IBM Maximo, ENGEMAN, Fracttal.
    Fonte: Padrão de mercado — sem norma específica
    equivalente
  • Conhecimento de TEIFTaxa de Indisponibilidade Forçada
    TEIF = Σ(h_forçadas × pot) / (h_período × pot_total) × 100
    Percentual do tempo em que a usina ficou indisponível por falhas não planejadas.
    Meta ANEEL: TEIF ≤ 1,5%. Descumprimento gera Parcela Variável (PV) — redução de receita.Apurado por unidade geradora (UG) pelo ONS.
    Fonte: ANEEL RN 614/2014 + ONS Módulo 14 (Submódulo 14.1)
    /TEIPTaxa de Indisponibilidade Programada
    TEIP = Σ(h_programadas × pot) / (h_período × pot_total) × 100
    Percentual do tempo em paradas planejadas (preventivas, revisões). TEIP elevado pode indicar bom planejamento.
    Meta ANEEL: TEIP ≤ 3,0%. Paradas devem ser aprovadas no PMIPrograma Mensal de Intervenções
    Envio obrigatório ao ONS com antecedência mínima de 10 dias úteis
    Documento com todas as paradas programadas do mês. Aprovação do ONS é obrigatória antes da execução.
    Parada não aprovada no PMI pode ser penalizada pelo ONS.ONS pode recusar ou renegociar datas se houver conflito com necessidade do SINSistema Interligado Nacional
    ~97% da capacidade instalada do Brasil conectada
    Rede elétrica integrada que conecta geração e consumo em todo o Brasil. Operado pelo ONS.
    Descredenciamento do SIN é a penalidade máxima por não conformidade regulatória.Usinas conectadas devem seguir os Procedimentos de Rede do ONS.
    Fonte: ONS — Procedimentos de Rede
    .
    Fonte: ONS — Submódulo 6.3 dos Procedimentos de Rede
    do ONS.
    Parada que excede prazo aprovado é reclassificada como forçada (impacta TEIF).
    Fonte: ANEEL RN 614/2014 + ONS Módulo 14
    e regulatório ANEEL/ONS
  • NR-10 SEP (habilitado para alta tensão)
Requisitos Desejáveis
  • Certificação ISO 55001ISO 55001 — Sistema de Gestão de Ativos
    Framework: Política → Objetivos → Plano → Execução → Melhoria contínua
    Norma internacional para gestão de ativos físicos no ciclo de vida completo. PCM é condição necessária para certificação.
    Certificação por auditoria de terceira parte (DNV, Bureau Veritas, TÜV).PCM estruturado é condição necessária mas não suficiente para certificação.
    Fonte: ISO 55001:2014 — ABNT NBR ISO 55001:2014
    (Gestão de Ativos)
  • Formação em RCMReliability Centered Maintenance
    Define estratégia ideal por modo de falha (preventiva / preditiva / corretiva / nenhuma)
    Metodologia que responde 7 perguntas estruturadas sobre função, falha, efeito e criticidade de cada equipamento.
    Baseado nas 7 perguntas RCM (Nowlan & Heap, 1978 / SAE JA1011).Aplicação completa pode levar meses — priorizar equipamentos Criticidade A.
    Fonte: SAE JA1011 / IEC 60300-3-11 / ABNT NBR 5462
    (Reliability Centered Maintenance)
  • Experiência com FMEAFailure Mode and Effects Analysis
    NPRNúmero de Prioridade de Risco
    NPR = Severidade × Ocorrência × Detecção (1–10 cada; máx = 1.000)
    Indicador FMEA que prioriza modos de falha para ação corretiva. Quanto maior o NPR, maior o risco.
    NPR > 200: ação imediata. 100–200: monitorar. < 100: aceitável.Severidade 10 (risco à vida) deve ser tratada independente dos outros fatores.
    Fonte: IEC 60812 / AIAG-VDA FMEA Handbook
    = Severidade × Ocorrência × Detecção (escala 1–10 cada)
    Análise sistemática dos modos de falha e seus efeitos. Prioriza ações pelo Número de Prioridade de Risco (NPR).
    NPR > 200 exige ação imediata.FMECAFailure Mode, Effects and Criticality Analysis
    Criticalidade = Probabilidade × Severidade × Taxa de falha
    Extensão do FMEA com análise quantitativa de criticalidade. Exige dados históricos de taxas de falha.
    Padrão para equipamentos de segurança crítica.
    Fonte: MIL-STD-1629A / IEC 60812
    é a extensão com análise quantitativa de criticalidade.
    Fonte: IEC 60812 / MIL-STD-1629A
    /FMECA
  • Inglês técnico (leitura de manuais fabricantes)
  • Experiência com PI Historian / SCADA

Rotina Diária — Coordenador PCM

HorárioAtividadeDuração
07:00Leitura de e-mails/notificações SCADA — verificar se houve eventos noturnos15 min
07:15Alinhamento com Supervisores de Operação (presencial ou por rádio)15 min
07:30Revisão do Programador — OS do dia: tudo em ordem? Material separado?30 min
08:00Acompanhamento das OS em campo (visita física ou por rádio com Chefes de Equipe)2 h
10:00Aprovação de OS novas elaboradas pelos Planejadores1 h
11:00Análise de KPIs (CMMS/Power BI) — atualização do painel semanal1 h
13:00Reuniões diversas (Operação, Compras, Engenharia)1 h
14:00Quinta-feira: Reunião Semanal de Programação | outros dias: trabalho técnico2 h
16:00Encerramento de OS concluídas, verificação de pendências, relatório de ocorrências1 h

O que o Coordenador NÃO Faz

🚫
Separação Clara de Funções

O Coordenador PCM não executa manutenção diretamente no campo. Não é o eletricista de plantão nem o mecânico de emergência. Não elabora as OS de detalhe (função dos Planejadores). Não faz pedido de compra diretamente (função do Programador/Almoxarifado). Sua função é gerir o sistema, não a atividade individual.

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Planejador Mecânico

O Planejador Mecânico transforma necessidades de manutenção em pacotes de trabalho completos, executáveis e seguros. O resultado do seu trabalho é uma equipe de campo que nunca precisa improvisar.

Missão Central

🎯
Princípio do Planejador Mecânico

"O papel aceita qualquer coisa — o campo tem realidade." Antes de planejar OS de alta complexidade (HH > 16h ou equipamento desconhecido), visitar o local fisicamente. Validar com o Chefe de Equipe antes de liberar. Escopos incompletos geram paradas por falta de material.

Responsabilidades Primárias

#ResponsabilidadeEntregável
1Elaborar OS de manutenção mecânica (preventiva e corretiva)OS com escopo, HH, material, segurança
2Manter o banco de planos preventivos atualizadoPlanos por TAG crítico no CMMSComputerized Maintenance Management System
Sistema de gestão integrada de manutenção
Software que centraliza OS, histórico de equipamentos, planos preventivos, estoque, custos e KPIs.
Sem CMMS adequado, Backlog e CP não podem ser calculados com confiabilidade.Opções avaliadas: SAP PM, IBM Maximo, ENGEMAN, Fracttal.
Fonte: Padrão de mercado — sem norma específica
3Definir lista de materiais e sobressalentes por OSLista de materiais com codificação
4Realizar visita técnica (field-walk) antes de planejar OS complexasRegistro fotográfico + notas de campo
5Apoiar planejamento de paradas e overhauls (escopo mecânico)WBS do overhaul — parte mecânica
6Interpretar laudos de análise de óleo e vibraçãoRecomendação técnica de ação
7Manter histórico técnico dos equipamentos mecânicosCadastro atualizado no CMMS

Perfil Técnico Ideal

  • Técnico em Mecânica (mínimo) ou Engenheiro Mecânico
  • Mínimo 3 anos em manutenção de equipamentos rotativos de grande porte
  • Conhecimento obrigatório: turbinas Francis, mancais de deslizamento (Babbitt), sistemas hidráulicos de alta pressão, análise de óleo
  • Certificações recomendadas: Lubrificação Industrial (ABRAMAN/SKF), NR-33 (espaço confinado — câmara espiral)
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Planejador Elétrico

O Planejador Elétrico é responsável por todo o planejamento de manutenção da disciplina elétrica — geradores, transformadores, sistemas de proteção, excitação, painéis de CC/CA e iluminação industrial.

Perfil Técnico Ideal

  • Técnico em Eletrotécnica (mínimo) ou Engenheiro Elétrico
  • Mínimo 3 anos em manutenção elétrica de geradores síncronos ou transformadores de potência
  • NR-10 SEP obrigatório (habilitação para Sistema Elétrico de Potência)
  • Capacidade de interpretar diagramas de proteção (relés IEEE) e esquemas de CC/CA
  • Conhecimento de ensaios elétricos: IR, IP, Tan δ, PD, Hipot
  • Conhecimento de DGADissolved Gas Analysis — Análise de Gases Dissolvidos
    Triângulo de Duval: CH₄%, C₂H₄%, C₂H₂% → 7 zonas de diagnóstico
    Análise dos gases dissolvidos no óleo do transformador para detectar falhas internas antes que se tornem catastróficas.
    Acetileno (C₂H₂) é crítico — indica arco elétrico. Qualquer detecção exige ação imediata.Frequência recomendada: semestral (rotina). Imediata se acetileno detectado.
    Fonte: IEC 60599 + IEEE C57.104 — limites de referência
    : interpretação do Triângulo de Duval, limites IEC C57.104

Responsabilidades Específicas

Ensaios e Laudos
Planejar e coordenar ensaios elétricos periódicos (IR/IP, Tan δ, PD, RSO). Interpretar laudos de DGA dos transformadores. Emitir recomendação técnica baseada em tendência de dados históricos.
Proteção e Segurança
Planejar testes de relés de proteção (manutenção detectiva). Garantir que todas as OS elétricas têm PT (Permissão de Trabalho) com LOTO definido conforme NR-10 SEP. Aprovar isolamento elétrico antes da execução.
Escovas e Excitação
Controle rigoroso do desgaste de escovas (registro mensal de comprimento residual). Planejar troca preventiva antes de atingir 20% do comprimento original. Verificar temperatura de anéis coletores.
Transformadores
Gestão do programa de DGA trimestral. Controle de nível e qualidade do óleo isolante (Rigidez Dielétrica, Teor de Água, acidez). Coordenação de serviços de filtração de óleo quando necessário.
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Programador PCM

O Programador é o maestro da agenda semanal — transforma as OS planejadas em uma programação executável, alocando recursos, coordenando janelas operacionais com a Operação e garantindo que todos os insumos estejam disponíveis antes de liberar para execução.

Rotina Semanal do Programador

DiaAtividade PrincipalOutput
Segunda Verificar CPCumprimento do Plano
CP = (OS executadas no prazo / OS programadas) × 100
Indica a disciplina do planejamento: quantas OS programadas foram realmente executadas no prazo previsto.
Meta típica: CP ≥ 90%.CP < 85% indica problema sistêmico: falta de material, equipe subdimensionada ou planejamento irrealista.Calcular separadamente para preventivas e preditivas.
Fonte: Indicador interno PCM — calculado no CMMSComputerized Maintenance Management System
Sistema de gestão integrada de manutenção
Software que centraliza OS, histórico de equipamentos, planos preventivos, estoque, custos e KPIs.
Sem CMMS adequado, Backlog e CP não podem ser calculados com confiabilidade.Opções avaliadas: SAP PM, IBM Maximo, ENGEMAN, Fracttal.
Fonte: Padrão de mercado — sem norma específica
da semana anterior; classificar OS não executadas (adiamento justificado ou desvio?); atualizar backlog
Relatório de CP semana N-1
Terça Triagem de novas solicitações; verificar materiais disponíveis para OS da próxima semana; acionar Almoxarifado para itens em falta Lista de materiais pendentes
Quarta Confirmar janelas operacionais com Operação; montar pacotes de OS (OS + PT + lista de materiais + ferramental); pre-job briefing se OS complexa Pacotes de trabalho preparados
Quinta 14h Reunião de Programação Semanal — apresentar programação, ajustar com base nas discussões, obter aprovação do Coordenador Programação semanal aprovada
Sexta Emitir programação formal no CMMS; distribuir para Chefes de Equipe; garantir que OS P1/P2 têm material disponível Programação semana N+1 emitida

Métricas do Programador

CP Semanal (meta)
≥ 85%
OS executadas / programadas
OS sem material (meta)
< 5%
OS com falta de material
Lead time médio
< 5 dias
Solicitação → emissão OS
OS em backlog
≤ 4 sem
HH pendentes / cap. semanal
30

Chefes de Equipe

Os Chefes de Equipe (2 mecânicos + 2 elétricos) são o elo entre o planejamento e o campo. São os guardiões da segurança no campo — nenhuma atividade começa sem sua aprovação de que as condições de segurança foram atendidas.

Chefe de Equipe — Mecânica
Responsabilidades:
  • Receber OS do Programador e distribuir para a equipe
  • Verificar disponibilidade de materiais e ferramental antes de iniciar
  • Garantir LOTO mecânico conforme NR-12 e procedimento
  • Acompanhar execução de OS complexas (NR-33 em câmara espiral)
  • Registrar HH real, materiais consumidos e achados no campo
  • Encerrar OS com feedback de qualidade de execução
Chefe de Equipe — Elétrica
Responsabilidades:
  • Verificar PT (Permissão de Trabalho) antes de qualquer intervenção elétrica
  • Garantir LOTO elétrico conforme NR-10 SEP
  • Supervisionar ensaios elétricos (IR, PI, Hipot)
  • Verificar se a equipe tem habilitação NR-10 adequada para o serviço
  • Registrar ocorrências elétricas no livro de turno
  • Comunicar anomalias ao Planejador Elétrico imediatamente
Autoridade de Parada — Chefe de Equipe

O Chefe de Equipe tem autoridade para paralisar qualquer serviço se identificar condição insegura — sem necessidade de aprovação prévia do Coordenador. A retomada, sim, exige autorização. Essa autoridade é inviolável e deve ser apoiada pela Gerência.

31

Matriz RACI

A Matriz RACI define, para cada processo do PCM, quem é Responsável pela execução, quem tem Autoridade de aprovação, quem deve ser Consultado e quem deve ser Informado.

Processo Coord PCM Plan Mec Plan Elé Program Chefe Eq Executores
Elaborar plano preventivo (PMA) A R R C C I
Elaborar OS (detalhar escopo) A R R C C
Aprovar OS para execução R/A C C I I
Programar semana (alocar recursos) A C C R C I
Executar OS em campo I I I I A R
Encerrar OS (registrar HH real) I I I C R/A R
Calcular e reportar KPIs R/A C C R I I
Declarar parada ao ONS R C C I I
Gerir estoque de sobressalentes A R R R C
Analisar causa-raiz (RCA) R/A R R I C C

R = Responsável (executa) · A = Autoridade (aprova) · C = Consultado · I = Informado

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ANEEL / ONS — Regulamentação

Principais Resoluções ANEEL

NormaAssuntoImpacto no PCM
RN 846/2019 Indicadores de desempenho de usinas (TEIFTaxa de Indisponibilidade Forçada
TEIF = Σ(h_forçadas × pot) / (h_período × pot_total) × 100
Percentual do tempo em que a usina ficou indisponível por falhas não planejadas.
Meta ANEEL: TEIF ≤ 1,5%. Descumprimento gera Parcela Variável (PV) — redução de receita.Apurado por unidade geradora (UG) pelo ONS.
Fonte: ANEEL RN 614/2014 + ONS Módulo 14 (Submódulo 14.1)
, TEIPTaxa de Indisponibilidade Programada
TEIP = Σ(h_programadas × pot) / (h_período × pot_total) × 100
Percentual do tempo em paradas planejadas (preventivas, revisões). TEIP elevado pode indicar bom planejamento.
Meta ANEEL: TEIP ≤ 3,0%. Paradas devem ser aprovadas no PMIPrograma Mensal de Intervenções
Envio obrigatório ao ONS com antecedência mínima de 10 dias úteis
Documento com todas as paradas programadas do mês. Aprovação do ONS é obrigatória antes da execução.
Parada não aprovada no PMI pode ser penalizada pelo ONS.ONS pode recusar ou renegociar datas se houver conflito com necessidade do SINSistema Interligado Nacional
~97% da capacidade instalada do Brasil conectada
Rede elétrica integrada que conecta geração e consumo em todo o Brasil. Operado pelo ONS.
Descredenciamento do SIN é a penalidade máxima por não conformidade regulatória.Usinas conectadas devem seguir os Procedimentos de Rede do ONS.
Fonte: ONS — Procedimentos de Rede
.
Fonte: ONS — Submódulo 6.3 dos Procedimentos de Rede
do ONS.
Parada que excede prazo aprovado é reclassificada como forçada (impacta TEIF).
Fonte: ANEEL RN 614/2014 + ONS Módulo 14
, TEIG)
Define as métricas de disponibilidade que o PCM deve controlar
RN 1.059/2023 Atualização do FIDFator de Indisponibilidade Declarada
FID = TEIF + TEIP (rolling médio dos últimos 60 meses)
Indicador consolidado de indisponibilidade regulatória. Calculado como média móvel de 5 anos.
Ultrapassar o FID contratual resulta em penalidades no CCEARContrato de Comercialização de Energia no Ambiente Regulado
Penalidade = Desvio_MWh × PLD_vigente
Contrato de longo prazo entre geradoras e distribuidoras. Define energia assegurada, prazo e condições de penalidade.
Descumprir disponibilidade contratual gera Parcela Variável (PV) — redução da receita mensal.Renovação de concessão exige histórico dentro dos limites CCEAR.
Fonte: ANEEL RN 614/2014 + Lei 10.848/2004
e possível descredenciamento no SIN.
Janela de 60 meses: eventos de 5 anos atrás ainda impactam o índice atual.
Fonte: ANEEL RN 1.059/2023 — cláusulas de disponibilidade CCEAR
= TEIF + TEIP (rolling 60 meses)
Janela de 60 meses para cálculo do FID — histórico de 5 anos importa
RN 1.033/2022 Contrato de disponibilidade (CCEAR) — penalidades Define multas por descumprimento de disponibilidade contratual

ONS — Submódulo 6.3 (Paradas Programadas)

PrazoAção ObrigatóriaResponsável
10 dias antesNotificar ONS via SAGER/POP com data, hora e duração prevista da paradaCoordenador PCM
48h antesConfirmar a parada (ou solicitar cancelamento com justificativa)Coordenador PCM
Ao iniciar Registrar início da indisponibilidade no SAGER (data/hora exata) Operador de Turno
Ao concluirRegistrar retorno da UG ao sistema com dados reais de duraçãoOperador de Turno
Após retornoPreencher relatório de manutenção no SAGER com atividades executadasCoordenador PCM
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NRs de Segurança

A conformidade com as Normas Regulamentadoras (NRs) do MTE é obrigatória para todos os trabalhos de manutenção. As NRs mais críticas para usinas hidrelétricas são:

NRTítuloAplicação em HidrelétricasHabilitação
NR-10 Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade Todo trabalho elétrico. SEP (Sistema Elétrico de Potência): curso especial de 40h obrigatório NR-10 básico (40h) + SEP (40h)
NR-12 Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos Trabalho em turbinas, reguladores de velocidade, servo-motores — LOTO mecânico Treinamento específico por máquina
NR-33 Segurança e Saúde em Espaços Confinados Câmara espiral, caixa de engrenagens, dutos de ventilação — permissão de entrada Vigia + Supervisor de entrada (16h)
NR-35 Trabalho em Altura Trabalho em partes externas do gerador, manutenção de comportas Treinamento teórico-prático (8h + reciclagem bienal)
NR-6 Equipamentos de Proteção Individual (EPI) EPI obrigatórios por tipo de serviço (luvas isolantes, capacete, óculos, botas) Treinamento de uso e CA vigente
NR-7 PCMSO — Programa de Controle Médico Exames periódicos, especialmente para exposição a campos eletromagnéticos e ruído ASO em dia para todos
LOTO — Lock Out / Tag Out

Antes de qualquer intervenção em equipamento energizado (elétrico ou mecânico), aplicar LOTO: Isolamento → Bloqueio (cadeado pessoal) → Verificação de ausência de tensão/pressão → Início do trabalho. Cada trabalhador aplica seu próprio cadeado. Nenhum supervisor pode retirar o cadeado de outro trabalhador sem sua autorização explícita.

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Normas IEC / ABNT / IEEE

NormaTítulo resumidoAplicação
IEC 60034Máquinas Elétricas GirantesRequisitos construtivos e de ensaio dos geradores
IEC 60076Transformadores de PotênciaEspecificação técnica e ensaios de transformadores
IEC 60599DGADissolved Gas Analysis — Análise de Gases Dissolvidos
Triângulo de Duval: CH₄%, C₂H₄%, C₂H₂% → 7 zonas de diagnóstico
Análise dos gases dissolvidos no óleo do transformador para detectar falhas internas antes que se tornem catastróficas.
Acetileno (C₂H₂) é crítico — indica arco elétrico. Qualquer detecção exige ação imediata.Frequência recomendada: semestral (rotina). Imediata se acetileno detectado.
Fonte: IEC 60599 + IEEE C57.104 — limites de referência
— Guia de interpretação
Limites de gases dissolvidos e métodos de diagnóstico
IEC 61850Comunicação em subestaçõesProtocolo de comunicação entre IEDs de proteção
IEEE C37.102Proteção de geradores síncronosFunções de proteção (87G, 51V, 40, 27, 59...)
IEEE C57.104DGA — Interpretação e limitesLimites de gases e ações recomendadas (norte-americano)
IEEE 1434Ensaios de descarga parcial em máquinasProcedimento de ensaio PD em geradores
ISO 55001ISO 55001 — Sistema de Gestão de Ativos
Framework: Política → Objetivos → Plano → Execução → Melhoria contínua
Norma internacional para gestão de ativos físicos no ciclo de vida completo. PCM é condição necessária para certificação.
Certificação por auditoria de terceira parte (DNV, Bureau Veritas, TÜV).PCM estruturado é condição necessária mas não suficiente para certificação.
Fonte: ISO 55001:2014 — ABNT NBR ISO 55001:2014
Sistemas de gestão de ativosFramework de gestão que engloba o PCM
ISO 20816Vibração mecânica em máquinasLimites de vibração (Zonas A, B, C, D)
ISO 4406Contagem de partículas em fluidosClassificação de limpeza de óleos lubrificantes
ABNT NBR 5462Confiabilidade e mantenabilidadeTerminologia de MTBFMean Time Between Failures
MTBF = horas de operação / número de falhas
Tempo médio entre falhas. MTBF crescente = confiabilidade melhorando.
Calculado por equipamento — agregar por usina perde granularidade.Exige registro preciso de cada falha no CMMSComputerized Maintenance Management System
Sistema de gestão integrada de manutenção
Software que centraliza OS, histórico de equipamentos, planos preventivos, estoque, custos e KPIs.
Sem CMMS adequado, Backlog e CP não podem ser calculados com confiabilidade.Opções avaliadas: SAP PM, IBM Maximo, ENGEMAN, Fracttal.
Fonte: Padrão de mercado — sem norma específica
.
Fonte: ABNT NBR 5462 — sem meta normativa ANEEL direta
, MTTRMean Time To Repair
MTTR = Σ(horas de reparo) / número de eventos corretivos
Tempo médio de reparo após falha — inclui diagnóstico, mobilização, reparo e testes.
Tempo de espera de peça pode dominar em usinas remotas.MTTR baixo pode indicar reparo paliativo sem tratar causa-raiz.
Fonte: ABNT NBR 5462 — dados do CMMS
, disponibilidade
ABNT NBR 7274/7286Análise de óleo isolanteProcedimentos de ensaio de óleo de transformadores
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Roadmap de Implementação — 90 Dias

O plano de implementação do PCM em Miranda e Jaguara está estruturado em 3 fases de 30 dias, com entregas progressivas. O PCM estará operacional ao final do Dia 90, com ciclo semanal estável e primeiros KPIs sendo medidos.

FaseSemanaObjetivoEntregas
Fase 1
Diagnóstico
(Dias 1-30)
1-2 Diagnóstico situacional Relatório de gaps; inventário de equipamentos; levantamento de pendências
2-3 Primeiras reuniões de programação 1ª reunião semanal realizada; formulário mínimo de OS definido
3-4 BacklogBacklog de Manutenção
Backlog (semanas) = Σ HH de todas OS pendentes / HH disponível por semana
Quantidade de trabalho acumulado. Semáforo: ≤ 2 sem = verde | 2–4 = amarelo | > 4 = vermelho.
Backlog > 4 semanas indica equipe subdimensionada ou planejamento excessivo.Backlog zero pode indicar subplanejamento — separar por prioridade (P1–P5).
Fonte: Indicador interno PCM — calculado no CMMSComputerized Maintenance Management System
Sistema de gestão integrada de manutenção
Software que centraliza OS, histórico de equipamentos, planos preventivos, estoque, custos e KPIs.
Sem CMMS adequado, Backlog e CP não podem ser calculados com confiabilidade.Opções avaliadas: SAP PM, IBM Maximo, ENGEMAN, Fracttal.
Fonte: Padrão de mercado — sem norma específica
quantificado
Total de HH pendentes em ambas as usinas; primeiros KPIs estimados
4 Seleção da equipe PCM Planejadores e Programador identificados/contratados; perfis definidos
Fase 2
Estruturação
(Dias 31-60)
5-6 Equipe PCM operacional Planejadores e Programador em atividade; treinamento CMMS iniciado
6-7 Planos preventivos top 10 TAGs Primeiros planos de manutenção elaborados para equipamentos mais críticos
7-8 1ª programação formal Programador emitindo programação toda sexta; OS via CMMS ou planilha
8 Dashboard mensal v1 KPIs básicos reportados à Gerência; calendário de paradas do semestre
Fase 3
Consolidação
(Dias 61-90)
9-10 Ciclo semanal estável Reunião toda quinta; programação toda sexta; CPCumprimento do Plano
CP = (OS executadas no prazo / OS programadas) × 100
Indica a disciplina do planejamento: quantas OS programadas foram realmente executadas no prazo previsto.
Meta típica: CP ≥ 90%.CP < 85% indica problema sistêmico: falta de material, equipe subdimensionada ou planejamento irrealista.Calcular separadamente para preventivas e preditivas.
Fonte: Indicador interno PCM — calculado no CMMS
medido semanalmente
10-11 Backlog sob controle Backlog ≤ 4 semanas; tendência estável ou decrescente
11-12 Avaliação de CMMS Recomendação formal (Fracttal / SAP PM) com justificativa e custo
12-13 Relatório de 90 dias KPIs, evolução, lições aprendidas; proposta para próximos 90 dias

Metas dos 90 Dias

CP mínimo D90
≥ 80%
Meta conservadora de início
Backlog D90
≤ 4 sem
HH pendentes / cap. semanal
Preventiva D90
≥ 60%
HH preventivo / total
OS no sistema D90
100%
Toda manutenção com OS

Riscos e Mitigações

RiscoProbabilidadeImpactoMitigação
Dificuldade de contratar Planejadores qualificados Média Alto Contratar empresa de consultoria para Fase 1; processo seletivo amplo com perfil flexível
Resistência cultural da equipe à mudança Alta Médio Comunicação ativa desde D1; apresentar benefícios práticos (menos corretiva); apoio da Gerência visível
Backlog inicial muito maior que estimado Média Médio Contratar prestador de serviço temporário para "zerar" backlog em paralelo ao PCM
Ausência de CMMS adequado Alta Médio Iniciar com planilha Excel estruturada; migrar para Fracttal em D60 sem esperar SAP PM
Evento de indisponibilidade forçada durante implantação Média Alto Priorizar P1/P2 sempre; manter comunicação com ONS/ANEEL; Coordenador PCM on-call nos primeiros 90 dias
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Situações Críticas e Como Agir

Manual de decisão rápida para as situações de maior frequência e impacto nas usinas ENGIE.

Trip de UG com Indisponibilidade Forçada

🔴
Cenário: Trip da proteção 87G (diferencial de gerador) às 03h00 — rearme falhou

1. Classificar como P1 imediatamente. 2. Acionar Planejador Elétrico para planejar inspeção emergencial. 3. Informar ONS — registrar TEIFTaxa de Indisponibilidade Forçada

TEIF = Σ(h_forçadas × pot) / (h_período × pot_total) × 100
Percentual do tempo em que a usina ficou indisponível por falhas não planejadas.
Meta ANEEL: TEIF ≤ 1,5%. Descumprimento gera Parcela Variável (PV) — redução de receita.Apurado por unidade geradora (UG) pelo ONS.
Fonte: ANEEL RN 614/2014 + ONS Módulo 14 (Submódulo 14.1)
. 4. Comunicar Gerente da Usina. 5. Acompanhar diagnóstico: trip real (falha de isolamento) vs falso trip (relé com defeito). 6. Após retorno: abrir RCA. Escalamento: se diagnóstico indicar falha grave do gerador (desmontagem), escalar para Gerência imediatamente.

DGADissolved Gas Analysis — Análise de Gases Dissolvidos
Triângulo de Duval: CH₄%, C₂H₄%, C₂H₂% → 7 zonas de diagnóstico
Análise dos gases dissolvidos no óleo do transformador para detectar falhas internas antes que se tornem catastróficas.
Acetileno (C₂H₂) é crítico — indica arco elétrico. Qualquer detecção exige ação imediata.Frequência recomendada: semestral (rotina). Imediata se acetileno detectado.
Fonte: IEC 60599 + IEEE C57.104 — limites de referência
com Acetileno em Transformador

⚠️
Cenário: C₂H₂ = 12 ppm em T1 Jaguara (era 3 ppm há 6 meses)

1. Classificar como P2 — urgente, não emergência imediata. 2. Com Planejador Elétrico: aplicar Triângulo de Duval. Calcular taxa: (12-3)/180 dias = 0,05 ppm/dia. 3. Solicitar nova coleta em 7 dias. 4. Se confirmar: programar desligamento para investigação. 5. Comunicar Gerência. 6. Verificar existência de transformador reserva. Escalamento: C₂H₂ > 20 ppm ou taxa > 0,1 ppm/dia → desligar imediatamente.

BacklogBacklog de Manutenção
Backlog (semanas) = Σ HH de todas OS pendentes / HH disponível por semana
Quantidade de trabalho acumulado. Semáforo: ≤ 2 sem = verde | 2–4 = amarelo | > 4 = vermelho.
Backlog > 4 semanas indica equipe subdimensionada ou planejamento excessivo.Backlog zero pode indicar subplanejamento — separar por prioridade (P1–P5).
Fonte: Indicador interno PCM — calculado no CMMSComputerized Maintenance Management System
Sistema de gestão integrada de manutenção
Software que centraliza OS, histórico de equipamentos, planos preventivos, estoque, custos e KPIs.
Sem CMMS adequado, Backlog e CP não podem ser calculados com confiabilidade.Opções avaliadas: SAP PM, IBM Maximo, ENGEMAN, Fracttal.
Fonte: Padrão de mercado — sem norma específica
Ultrapassou 6 Semanas

📊
Cenário: Backlog consolidado em 6,5 semanas (meta ≤ 4)

1. Analisar composição: onde está o acúmulo? 2. Identificar causa-raiz: falta de material? Janela de UG? Equipe subdimensionada? 3. Ação correspondente: reunião emergencial com Compras / negociar janelas / contratar prestador. 4. Comunicar Gerência imediatamente. Escalamento: Ao atingir 6 semanas — comunicar Gerência para liberação de recursos.

TEIF Aproximando-se do Limite Contratual

📉
Cenário: TEIF rolling 60 meses em 3,8% — limite CCEARContrato de Comercialização de Energia no Ambiente Regulado
Penalidade = Desvio_MWh × PLD_vigente
Contrato de longo prazo entre geradoras e distribuidoras. Define energia assegurada, prazo e condições de penalidade.
Descumprir disponibilidade contratual gera Parcela Variável (PV) — redução da receita mensal.Renovação de concessão exige histórico dentro dos limites CCEAR.
Fonte: ANEEL RN 614/2014 + Lei 10.848/2004
= 4,5%

1. Analisar quais eventos "puxam" o TEIF (meses antigos saindo da janela de 60 meses). 2. Projetar: em quantos meses ultrapassa 4,5% na tendência atual? 3. Intensificar preditiva nos equipamentos que mais falharam. Considerar antecipar overhaul de equipamentos em condição degradada. 4. Comunicar Área Regulatória/Comercial ENGIE. Escalamento: 80% do limite (3,6%) → Área Regulatória. 90% (4,05%) → reunião com Gerência e Diretoria.

Achado Grave em Parada de UG — Mudança de Escopo

🔍
Cenário: Parada prevista para 15 dias — cavitação severa encontrada em 3 pás do runner

1. Documentar imediatamente: fotos, medições, localização. 2. Avaliar severidade: profundidade > 10mm em CA6NM exige reparo. 3. Definir escopo adicional: soldagem MIG/MAG + acabamento (+5 a +10 dias). 4. Comunicar ONS: nova previsão de retorno. 5. Comunicar Gerência: impacto em TEIPTaxa de Indisponibilidade Programada

TEIP = Σ(h_programadas × pot) / (h_período × pot_total) × 100
Percentual do tempo em paradas planejadas (preventivas, revisões). TEIP elevado pode indicar bom planejamento.
Meta ANEEL: TEIP ≤ 3,0%. Paradas devem ser aprovadas no PMIPrograma Mensal de Intervenções
Envio obrigatório ao ONS com antecedência mínima de 10 dias úteis
Documento com todas as paradas programadas do mês. Aprovação do ONS é obrigatória antes da execução.
Parada não aprovada no PMI pode ser penalizada pelo ONS.ONS pode recusar ou renegociar datas se houver conflito com necessidade do SINSistema Interligado Nacional
~97% da capacidade instalada do Brasil conectada
Rede elétrica integrada que conecta geração e consumo em todo o Brasil. Operado pelo ONS.
Descredenciamento do SIN é a penalidade máxima por não conformidade regulatória.Usinas conectadas devem seguir os Procedimentos de Rede do ONS.
Fonte: ONS — Procedimentos de Rede
.
Fonte: ONS — Submódulo 6.3 dos Procedimentos de Rede
do ONS.
Parada que excede prazo aprovado é reclassificada como forçada (impacta TEIF).
Fonte: ANEEL RN 614/2014 + ONS Módulo 14
. 6. Acionar fornecedor especializado se não houver equipe de soldagem. Escalamento: Imediatamente ao confirmar o achado.

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Gestão de Sobressalentes

A gestão de sobressalentes é um dos maiores desafios do PCM hidrelétrico — itens críticos têm lead time de 18-36 meses (ex: tiristores de excitação, mancal de escora completo) e custo unitário elevado.

Classificação ABC de Sobressalentes

Classe A — Críticos
Alto impacto na disponibilidade. Sem substituto imediato. Lead time longo (> 90 dias). Exemplos: rolamento de escora, tiristores de excitação, relé de proteção IED, segmento de runner para reparo. Política: manter estoque mínimo de 1 unidade.
Classe B — Importantes
Impacto moderado. Fornecedor alternativo disponível. Lead time 30-90 dias. Exemplos: escovas de carvão, vedações de eixo, filtros de óleo, válvulas solenoides da HPU. Política: estoque de consumo médio de 3 meses.
Classe C — Rotineiros
Baixo impacto. Disponível localmente. Lead time < 30 dias. Exemplos: óleos lubrificantes, parafusos, juntas, lâmpadas, fusíveis. Política: estoque mínimo baseado em consumo histórico.

Lead Time de Sobressalentes Críticos

ItemEquipamentoLead Time TípicoFornecedor Principal
Runner turbina FrancisTurbina18–36 mesesVoith Hydro, Andritz
Mancal de escora completoTurbina/Gerador12–18 mesesVoith, Kingsbury
Tiristores de excitaçãoExcitação estática6–12 mesesABB, GE, Siemens
IED de proteção (relé digital)Proteção3–6 mesesABB, SEL, Siemens
Transformador de força completoTransformador18–36 mesesWEG, ABB, GE Vernova
Selos do regulador de velocidadeGovernor HPU30–90 diasParker, Bosch Rexroth
Escovas de carvão do geradorGerador30–60 diasMersen, SGL Carbon
📦
Contrato de FSA — Field Service Agreement

Para itens com lead time > 12 meses, considerar contratos FSA com fabricantes (Voith, Andritz, GE Vernova) que garantem peças prioritárias em caso de falha, com prazo e custo pré-negociados. O FSA reduz o impacto financeiro de eventos de longa duração e é uma boa prática em usinas com frota envelhecida como Jaguara.

Fabricantes e Fornecedores Qualificados

FornecedorEspecialidadeEquipamentos Principais
Voith HydroOEM turbinas e geradores hidráulicosRunners Francis, servomotores, reguladores
Andritz HydroOEM turbinas e geradores hidráulicosRunners, mancais, geradores
GE VernovaSistemas de proteção, transformadores, APMIEDs de proteção, transformadores, plataforma APM
Siemens EnergyTransformadores, sistemas de proteção e controleTransformadores de força, SCADA
WEGMotores, transformadores, drivesTransformadores, motores de serviço
ABB AbilitySistemas de excitação, proteção, automaçãoExcitação estática, relés ABB REx
Mersen / SGL CarbonEscovas de carvão grafitadoEscovas para anéis coletores
Digital AI
Documentação elaborada por Digital AI  ·  Projeto HIDRA · ENGIE Brasil
Documentação técnica interna · Versão 1.0 · 2026
Miranda: 408 MW · 3 UGs · Rio Araguari | Jaguara: 424 MW · 4 UGs · Rio Grande | Total: 832 MW · 7 UGs